Minha Nobara Hime

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Minha Nobara Hime

Mensagem por Ana Arisu em Dom Set 25 2011, 01:59

Olá minna-san!!

Eu fiquei (de repente) com mt, mt vontade de postar essa fic aqui. Escrevi faz um tempinho, com td amor, carinho e dedicação ~
Espero que quem goste de Nobara♥Tettere (como eu) goste da fic, que é levinha, eu acho ^^
Saa... Dozo ~

Spoiler:


Minha Nobara Hime



Eu vi quando ela correu, apressada, pelos limites do castelo. Jamais havia presenciado tamanha dor no rosto de uma mulher tão linda, embora eu tivesse palpites do que aquela fuga significava.

Durante meses, o próprio reflexo a atormentara. Passava horas definhando em frente ao espelho, com aquele olhar melancólico e sem esperanças de um pássaro que já não podia mais voar. Mesmo que se cobrisse com a mais grossa das mantas, o vestido largo, de cintura frouxa, denunciava o ventre avantajado que crescera com o passar do tempo, anunciando a vinda de uma criança. Não, não era como se fosse uma criança, mas sim um botão da mais vermelha das rosas, semeado através de uma maldição lançada pela mais vil e orgulhosa das criaturas. Quanto mais crescia, mais sugava a vida dela, mais a envolvia entre seus espinhos, e mais ela se afogava em lágrimas e soluços de partir o coração, confirmando as minhas suspeitas: eu jamais consegui salvá-la daquela torre de espinhos...

Inúmeras foram as vezes em que a vi tentando arrancar do ventre aquela criança. Durante nove meses, ela se utilizou de todos os métodos para se livrar da maldição que desgraçara sua vida, mas alguém como ela seria incapaz de cometer aquele crime. Em nenhuma das vezes teve a frieza necessária para concluir a horrível tarefa, e acabava sempre por desabar ao chão, num choro ininterrupto, resignando-se pelo Destino cruel que lhe haviam dado – ela, uma mulher tão bonita, tão pura, desgraçada daquele jeito vergonhoso, irreversível.

Tanto ela quanto eu sabíamos que aquela criança nasceria e que a maldição se realizaria mais uma vez. Diante disso eu me perguntava de que modo eu poderia novamente salvá-la, de que modo eu poderia cortar os ramos espinhentos que ainda prendiam-na ao infortunado passado. Meus esforços para animá-la eram todos em vão, ela se assemelhava a uma rosa desbotada, cingida por uma aura nebulosa de tristeza e injúria. Diante daqueles olhos perdidos, sempre marejados de lágrimas, eu jurei para mim mesmo que eu a libertaria definitivamente da torre de rosas.

Eu a protegeria fosse qual fosse o preço que esse intento me custasse! Estava disposto a brandir minha espada até que a lâmina prateada partisse todos os galhos e a libertasse de todos os espinhos, mesmo que minhas mãos se ferissem e se cobrissem de sangue!

Chovia torrencialmente, cobrindo todo o horizonte com um véu cinza feito de gotas pesadas de água, e escurecia discretamente; a noite se esgueirava de mansinho, trazendo junto com a escuridão os seus perigos. Ainda assim, ela cruzara de modo imprudente os portões do castelo em direção à floresta. Talvez quisesse o Destino que eu a avistasse exatamente no momento da sua fuga, mas isso é o que menos importa, pois tão logo eu percebi que fugia, nasceu em meu coração a certeza que aquela era a hora de cumprir a minha promessa. Imediatamente, desci as escadas, montei no primeiro cavalo selado e levei comigo apenas a minha espada e o profundo amor que eu sentia por ela.

Nas condições em que estava, eu sabia que não seria fácil achá-la. A floresta parecia compactuar contra a minha determinação. Maligna, era como se ela ordenasse às árvores e aos caminhos que se fechassem para mim. Mais de uma vez, perdi-me entre a escuridão dos troncos, dos emaranhados de galhos e folhas, como se a floresta comprimisse-me dentro dela. Inúmeras também foram as vezes que me deparei com animais selvagens, e então mais do que o fio da espada, me foi necessária a perícia para escapar de suas ameaças. Não sei quanto tempo passei avançando entre os vários caminhos, mas sentia que nenhum outro faria o que eu fiz com o mesmo ardor e mesma determinação... Não por ela.

Atravessei um largo e obscuro corredor de altas e frondosas árvores até que chegasse, enfim, a uma clareira que parecia ser o centro da floresta. Pensei assim porque ali as árvores eram mais imperiosas, mais altas e mais densas, dando a impressão de serem as mais velhas de toda a formação natural. As copas sinistras eram tão altas e tão próximas umas das outras que faziam um teto de folhas verde-escuras, dificultando a passagem da luz da lua. Seus troncos uniam-se uns com os outros em forma de ogivas, semelhantes aos portais de castelos. Ao adentrar àquele místico lugar, senti um aperto tão forte em meu coração que não tive dúvidas: desci do cavalo e caminhei calmamente pela mistura de terra molhada e folhas caídas, vacilando algumas vezes pelo caminho escuro, onde a floresta parecia gozar de uma onipresença invencível. Foi então que a vi, contorcida no chão: lá estava ela, a minha esposa!

Instintivamente ergui-a da terra barrenta que sujava seu vestido, seus braços, seus cabelos... Por um momento pensei que levantava uma boneca sem vida, encharcada pela água da chuva. Uma angústia avassaladora tomou conta de mim, temi que tivesse chegado tarde demais e que ela pudesse estar... Mas assim que a tomei nos braços, chamando desesperadamente pelo seu nome, ouvi em resposta um sussurro lânguido, aflito, que por um milagre chegou aos meus ouvidos:

“... Nasceu... Ela... Nasceu...”

Foi quando percebi, mortificado, que ela não estava encharcada apenas pela água da chuva, mas estava coberta do sangue do parto. Ela olhou-me com aquela tristeza infinda que tomava a forma das mais cristalinas lágrimas que podiam escorrer dos olhos e me abraçou com um desespero que chegava a machucar. Não pude fazer outra coisa além de abraçá-la com igual força e por um momento julguei sentir dentro do meu peito toda a tristeza e angústia que ela sentia. Mas havia algo, algum sentimento que eu não conseguia entender... Talvez...

“Onde está?” – perguntei suavemente, com o rosto afundado em seus cabelos.

Ela tremeu dos pés à cabeça e apertou-me com mais força, como se temesse algo. Mas não respondeu de imediato.

“Querida, onde ela está...?”

Talvez... Talvez aquele estranho sentimento fosse... culpa.

“Ela está na floresta” – disse com a voz embargada de tristeza, no tom mais mortalmente baixo possível.

Então, após aquela simples frase, compreendi o que se passara. Ao vê-la correr tão desesperadamente em direção à floresta, eu havia pensado que ela fugia para me deixar. Mas não, o que ela deixaria, o que abandonaria naquela noite tão escura seria a sua maldição! No lugar mais profundo daquela mística floresta, este sim, seria o lugar onde deveria crescer aquela rosa amaldiçoada, irrigada pelas lágrimas de sofrimento e culpa que derramara a triste princesa que lhe dera à luz.

E eu? Eu não deixaria nenhuma corrente de espinhos prendê-la pelos pulsos novamente, não deixaria que as rosas do seu sombrio passado voltassem a assombrá-la, desbotando a sua cor com a palidez da melancolia, sugando sua alegria, tornando-a uma mulher resignada e triste. Finalmente eu poderia salvá-la, finalmente eu a libertaria daquela torre de espinhos...

“Eu prometi que, quando o momento chegasse, eu estaria ao seu lado como estava ao lhe tirar daquela torre de rosas” – disse suavemente, me curvando sobre ela e sussurrando em seu ouvido.

Então estendi-lhe a mão:

“Vamos?”

Diante de seu olhar confuso e atormentando, eu sorri com condescendência e expliquei-lhe:

“Vamos voltar para o castelo, minha princesa?”

E com essas palavras, creio que arranquei a rede de espinhos que atava seu coração. Jamais deixaria que minha princesa voltasse para aquela torre de rosas. Agora ela era só minha, e floresceria como a mais bela das rosas, a minha rosa mais dócil e perfeita, e também a mais amada.

Já amanhecia quando, unidos pelas mãos, saímos daquela malquista floresta, e posso jurar que ouvi o choro de um botão de flor vermelha que ficava para trás.





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