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Mensagem por Beatorisu em Ter Ago 31 2010, 19:59

Ok. Porque o forum precisa de movimento... ._. e bom... tá, não é de SH, mas quem já leu /YukitoeNorm/ sabe que tem influência de SH ai no meio ~ :3
então... vou por a minha "pseudo-fic" aquitb xp
fuu :3


Parte 1 - Vitrines
Spoiler:
Sinos da igreja. Risos. Alguém batendo na porta.
Socando.
A construção de madeira tremia. Poeira caia a cada batida sujando ainda mais o chão.

Mary?


Passos. Dava para ouvi-los se afastando cada vez mais.
Chovera.
Dava para sentir pelo cheiro.


Se uma vida é tirada, toma-se outra em troca. Que tipo de conta é essa onde o resultado é sempre negativo?

Dizem que se crianças riem é porque algo está errado. Ao menos nessa vila cercada por mistérios acerca de uma velha loja de antiguidades.


Vitrine número 1 – o velho castiçal de prata

Sobre um velho castiçal de prata, daqueles que se usam para por velas
Sabe-se muito pouco sobre o menino
Por algum motivo fora abandonado na neve
Junto dele apenas um castiçal de prata

Pela felicidade de minha mãe esse menino foi acolhido
Mas pensando bem, não sei afirmar se isso foi algo bom
Talvez fosse melhor que tivesse morrido
O pobre não viveria hoje

O velho castiçal sumira
Que diferença fazia aquele objeto à um bebê?
Talvez a pergunta correta seja
Que diferença o bebê fazia ao castiçal?

Não se sabe mais nada sobre o castiçal
Apenas que talvez valha algo, valha muito
Sobre o menino sabe-se que cresceu
Sabe-se que vive ainda hoje por aqui

Sabe-se, pelo que se ouve, que seu paraíso pessoal morre um pouco a cada dia
E que somos nós a matá-lo.




Vitrine número 2 – uma caixinha de música sem melodia

O que fazer com uma caixinha de música que não toca música?
Desfazer-se dela
Quem compraria algo tão inútil?
Certamente alguém compraria

Não se sabe há quanto tempo ela parou de tocar
Simplesmente parou
Não se sabe quando foi
Porque há muito já não era aberta

Abandonada num canto da comoda a caixinha de música estava
E ali ela ficou
Os dias nos quais cantara para a menina se passaram
Pois a menina agora era uma velha

Ela própria não se lembra quando foi a ultima vez que abriu a caixinha de música
Apenas soube que parara de tocar
Quando por acidente a derrubara
Naquele dia ela apanhou

Naquele dia ainda não era uma velha
Apesar de que não consegue mais se lembrar
Provavelmente não se lembra de como chegou aqui
Ou porque segurava a caixinha que não funcionava em suas mãos

“Qual a utilidade de uma caixinha de música que não toca música?” ela perguntou
“Ora, basta lembrar para ouvir a melodia”, e então abri a caixinha
Em uma história feliz e velha senhora abriria um sorriso
Mas nessa ela simplesmente me encarou com olhos vazios

Depositando a caixinha sobre o balcão e indo embora
Ninguém fala com a velha senhora
E ela não fala com ninguém
Isso porque seu paraíso pessoal morreu há muito tempo
E fomos nós a matá-lo.




Vitrine 3 – um vestido não de noiva, mas tão branco quanto

Quem em sã consciência compraria um vestido?
Garanto-lhe que ninguém compraria um daqui
Exceto ela.
O porque é algo além de minha compreensão, mas ele o comprou.

Um vestido tão branco que chegava a dar medo
Talvez ainda mais branco que um vestido de noiva
O que era praticamente inimaginável devido o estado desse lugar
Nada era realmente limpo numa loja de antiguidades, exceto aquele vestido.

Lembro-me muito bem de quando ele chegou e de quando partiu.
Tenho uma certeza quase certa de que ele só foi comprado
Porque um dia certa pessoa o deixou aqui
O que deixa-me em estado de quase perturbação

Se tudo que dizem é verdade então a compradora tem um “que” de louca
E não a culpo se a loucura é fruto do que todos pensamos ser
Nesse caso somos todos tão loucos quanto ela
Mas não loucos o suficiente a ponto de comprar tal vestido

Fato interessante é que o vestido não deve caber nem em uma boneca
Ou talvez só caiba nelas, e por isso ela o comprou
E por um acaso quem veio deixá-lo aqui foi uma própria
Tão pálida e branca que parecia de porcelana

O vestido branco, tão branco como de noiva
Eu já vira vestido nela algumas vezes, exatamente 2
Só vim a saber que era branco a ponto de se confundir com a pele da menina na segunda vez que a vi
Pois na primeira a cor dele era escarlate sangue, a ponto de se confundir com os olhos

A respeito da compradora, só a vi iguais 2 vezes
Mas ela vê a todos constantemente para sempre
Até, é claro, que seu paraíso pessoal morra lentamente
E certamente seremos nós a matá-lo







Se os cenários se encontram é porque algo está errado.
Isso acontece sempre que crianças riem.
E isso não é bom.
Casas são basicamente quadrados.
E um quadrado tem quatro lados.
É natural então que essa loja de antiguidades tenha 4 vitrines.
A quarta vitrine fica nos fundos.
E a quarta vitrine... É o paraíso em si.



Parte 2 - Cantos
Spoiler:
Era um dia de inverno quando ela chegou para esses lados.
Era um dia de inverno tal qual o dia no qual ele fora achado.
Era um dia de inverno tal qual aquele no qual ela sangrara.
Era um dia de inverno tal qual aquele em que ela morrera.

Pode um lugar ser tão amaldiçoado a ponto de abrigar tantas histórias tão tristes?

Canto número 1 – a menina branca como a neve

“-Vamos chamá-la Mary.”
“Mary?”
“Sim, Mary.”

A decisão de um nome pode não parecer nada demais, ou talvez pareça.
O caso é: se a essa menina tivesse sido dado outro nome, hoje ela não estaria onde está... Não seria desse jeito... E certamente não morreria, como está prestes a morrer.

Mary, uma canção chama seu nome.
Mary, quantas outras mais partilharam desse mesmo destino?
Mary, quantas vezes mais você sorrirá para mim?
Mary... Por quanto tempo mais eu verei seus olhos?

Sua sorte era tanta que o amor de seu pai não podia ser medido. Nem se comparado ao número de estrelas no céu.
Sua sorte era tão pouca que esse amor a fez manchar seu puro vestido.
Seu azar era tamanho que foi nomeada após sua mãe, e avó... e todas outras mulheres da família.
Seu azar era tanto que esse nome a fez quebrar um espelho.

Uma mãe desesperada. Um pai violento. Uma criança com medo.
Um vestido manchado de vermelho. Garrafas de vinho vazias no chão. Um espelho quebrado.

Mary, sua vida não vale mais do que essa garrafa de vinho.
Mary, posso trocá-la por outra a hora que eu bem entender.
Mary, se ao menos você não fosse você... Talvez tivesse alguma chance.
Mary, meu ódio é tanto que me impede de matá-la eu mesma.

Uma mãe cega pelo ódio. Um pai cego pelo amor. Uma criança que não devia conhecer nenhum dos dois.
Uma noite fria de inverno. Uma carroça velha. Uma vila distante.

“Mary... Como sua mãe faço o que é melhor para você. E nem isso você merece.”
Enterrando o bebê na neve, a mãe descontrolada o fez na calada da noite.
Para sorte, ou azar da pequena, a mãe o fez próximo a primeira casa de uma estranha vila.
E foi assim que a menina sobreviveu. Achada por uma bondosa senhora e por ela criada, Mary cresceu.

A primeira vez que vi Mary foi naquele dia, com aquele vestido. Devia ter 8 anos.
Do bebê não se soube por um tempo... Até acharem-no morto próximo de onde Mary fora achada.
O bebê não era Mary... Mas seria caso Mary não tivesse esse nome.





O inverno que parece durar para sempre nesse pequeno lugar, talvez de fato dure por todo esse tempo.
Pois o inverno não é o tempo. Não é a neve.
O inverno é aquilo que eles vêem e aquilo que eles conhecem.
O inverno é aquilo que permanece e aquilo que sela o destino deles próprios.
Porque então escolhem o inverno?
Ah... Essa vila...

Canto número 2 – o pequeno gênio renegado

Ele também chegara num dia de inverno, ou melhor, numa noite.
Ele já devia ter seus 13 anos quando bateu a porta da única casa com luzes acesas na vila.
Ele foi provavelmente o primeiro estrangeiro a chegar nessa vila.
Coitado, ele foi o primeiro a ter seu destino selado de vermelho...

De tempos em tempos pode-se ouvir uma melodia acompanhar o nascimento de uma criança.
Dizem por esses lados que ouvir tal melodia é sinal de bom presságio para o bebê que está vindo.
Ah, quão infortunado o jovem rapaz... Essa melodia não trouxe nada para ele além de uma genialidade imensa.

“Não são os gênios... geniais?” perguntou-me certa vez a doce menina.
Que responder quando ela está certa?
Ah... Se essa pergunta não me tivesse sido feita naquele dia...

Dia 12 de abril, uma terça... De noite. Tudo o que ouvimos foi o barulho do vidro do andar superior ser quebrado e por ele voarem papeis e mais papéis... Além de uma cadeira.
Todos os curiosos em suas janelas prestavam total atenção à casa do jovem gênio.
Nada além de silêncio.

A vila foi dormir, com exceção no gênio, da menina e de mim.
Porque ele fez aquilo? Por ser um gênio, naturalmente...
“Mas não são os gênios... geniais?”
Ah a curiosidade infantil...

Se ao menos ela soubesse. Se ao menos ele soubesse.
Mas nada se sabe.
E ele veio do nada.
Numa noite de inverno um garoto chegara.
Numa noite de inverno esse mesmo jovem quebrara a própria janela.

Vindo do nada. Rumo ao nada.
As grandes mentes são facilmente esquecidas.
Pobre dele, ter sido esquecido tão jovem por aqueles que jamais deveriam esquecê-lo.

Se a melodia ouvida no dia de seu nascimento tivesse sido outra...
Se ao menos ele não se lembrasse de tal melodia...
Se essa mesma melodia não tivesse o nome de Mary...

Um gênio frustrado que tenta compor. Conseguirá ele recriar aquele mesmo som de 26 anos atrás?
Mesmo que consiga, de nada adiantará.
Tudo sempre esteve perdido desde que chegara nessa cidade lunática.






O passado não retorna jamais.
Jamais ela verá novamente aquele retrato.
Não porque o retrato tenha envelhecido.
Mas pelo simples fato de que aquele retrato nunca existiu.

Canto número 3 – a triste história do passar do tempo

É natural que as pessoas morram.
Assim como é natural que elas nasçam... Se apaixonem.
Dá uma certa pena olhar para o retrato dessa senhora.
Os dias nos quais ela fora feliz... Talvez nunca tenham existido.

Tudo o que pode dizer de seu passado é que gostaria que retornasse.
Não sei ao certo se ela se lembra do que acontecera naquele tempo.
É provável que sim.

Algo simples. História corriqueira.
Acontecera tantas outras vezes com tantas outras mulheres...
Mas nunca acontecera nessa vila.
E, ah, esse foi seu azar...

Se ao menos eles não tivessem se mudado para cá.
Talvez ele ainda a amasse.
Talvez ela ainda conseguisse se olhar no espelho.
Talvez ela tivesse permanecido solteira para sempre.

Nada interessante, mas o que sucessivos copos não fazem?
O que um rosto, numa quina de madeira não faz?
Barulhos. Gritos. Correria.

Preferiu esquecer tudo. Só o que se lembra são das pessoas entrando em sua casa.
Sua caixinha de música caída no canto do quarto, provavelmente de quando batera a cabeça.
Em meio a melodia que não tocava, com seus olhos fixos no pequeno objeto, ela sentiu ele ser morto.

“Porque a velha senhora não fala com ninguém?” certa vez ela me perguntara
Ah... Se ao menos essa pergunta tivesse me sido feita em outra ocasião.
Naquele dia a senhora viera aqui.
E naquele dia ela retornara para casa.

Sem nunca olhar ninguém nos olhos, sem nunca nos perdoar.
Me questiono sobre o porque de alguém amar tanto outra pessoa...
Não importa o quanto pense, a resposta nunca é satisfatória.

A velha senhora caminha na neve tal qual o dia em que vieram para cá.
Tal qual o dia em que vira seu sonho morrer, ela apenas caminha.
Como se caminhar desse sentido à vida triste dela.






Tenho pena. Por algum motivo tenho pena.
“Não fala com ninguém porque não quer. E tem toda razão...”
“aaahm...” foi a resposta.
E de algum modo sei que pensava que seria melhor que a velha se matasse.
Ah a obsessão!
Diverte-me tentar observá-la, quando sei que ela faz o mesmo para comigo.
Diverte-me pensar em qual será seu próximo passo...
E no que posso fazer para não interferir em seus planos...

Canto número 4 – a obsessiva da janela

Todo dia, sempre no mesmo horário, ela passa por ali.
Chutando a neve com seus pequenos pés e fazendo-a voar.
Todo dia a mesma coisa feita de modo tão novo e inocente,
Que faz todos nós pararmos para observá-la.

Todo dia, o dia inteiro ela fica na janela.
Ninguém jamais a vê, e há rumores sobre como ela consegue pão.
É certo que ela estará lá, sempre, olhando.

Cheguei a conhecê-la, um fortuno encontro devo admitir.
Certa vez ela veio aqui e foi grande o choque... Surpreendi-me.
Comprou algo que destoava da loja.
Algo que ninguém além dela compraria.

Acerca do que faz todos sabem e têm certeza de que é sobre “ela”
Todos sabem, mas recusam-se a falar.
Fingem que nada acontecerá, mas temem em silêncio pela pequena boneca.

Temo, não nego. Procuro, entretanto, não interferir em seus planos.
Se um dia ela andar próximo demais à casa, certamente serei eu a observar o que pode acontecer.

Uma casa fechada. Uma louca na janela. Um alvo desprotegido.
Ninguém sabe como ela parou aqui. Um dia simplesmente alguém habitava aquela casa de esquina.

Uma história curta, até sem graça.
Uma perseguidora que não se move.
Um alvo que parece gostar daquilo tudo.

A atenção a fascina. A mentira a atrai.
“Mentir é o que faz você ser um adulto, certo?” perguntou-me em certa ocasião.
Ah... Se ao menos a resposta dessa pergunta fosse um não...
Nesse caso estaria eu mentindo e a pergunta que mais era uma afirmação estaria correta.

Então percebo, ela finge.
Uma pequena mentirosa ela é.
Atua, como se não soubesse que todos a olham.
No fundo, ri-se da atenção voltada para ela.

Um riso inocente. Uma mente doentia alimentada por outra.
Uma relação de dependência que pode levar a algo mais.
Ou não.

O dia que a luz se apagar esteja certo de que estarei atrás da cortina, esperando o momento certo para fechá-la.


Parte 3 - Diários
Spoiler:
Como pode ser que a vida, o destino que é tão grande, resolva juntar tais pessoas?
Porque?
Uma simples história e histórias são assim...
Milagres acontecem e aqueles que não se viam e nem se conheceram passam a se encontrar diariamente.
A ligação inexistente pode ser considerada uma ligação?
Se nenhuma das partes está ciente do laço, esse laço existe?
A partir de que momento o certo é considerado errado dentro de nossa iluminada ignorância?

Diário número 1 – sob uma melodia inaudível nasce um gênio

Todos os cômodos da casa, que não o quarto, estavam vazios.
Naquele único quarto lotado de gente uma mulher gritava.
O suor escorria e rostos horrorizados pareciam querer simpatizar com sua dor.
No canto do quarto, assistindo a tudo, uma mulher puxou algo de sua bolsa.
Algo que ela trouxera de sua própria casa há muito.
Desde que começara a trabalhar ali, aquilo era a única lembrança de seus amados pais.
A mulher era ainda jovem, mas já trazia em seu rosto traços de sofrimento.
Abrindo o pequeno objeto, uma melodia invadiu o local.
Os cenhos franzidos e contorcidos pareceram se acalmar.
Entretanto ninguém virara o rosto para saber de onde vinha a melodia.
E ela tocava e se repetia, num ciclo infinito.
Para sempre.

O menino veio ao mundo.
Horas e horas de sofrimento e ele finalmente chegou a esse mundo de inverno.
Mal sabia o pobre menino que aquele inverno seria eterno.

Os dias se passaram naquela casa.
Não se passou muito tempo, entretanto, até que a mulher da melodia fosse embora.
Não porque tenha sido despedida, mas porque fora obrigada a partir.
Um dia, simplesmente, não havia mais traços dela naquele lugar.
Nem mesmo a melodia da caixinha de música.
Uma melodia inaudível.
Milagrosa.
Amaldiçoada.

Após o estranho incidente do sumiço da ama, os dias se passaram mais tristes.
O menino cresceu e cresceu mais um pouco.
Aos poucos aquele presságio se tornou realidade.
O que deveria ser uma alegria e benção tornou-se tormento.
Pianos, violinos, instrumentos e mais instrumentos.
Dia após dia o menino cresceu e com ele crescia seu talento.
O pai, antes feliz pelo nascimento de um filho varão
Agora caia pelos cantos chorando seu azar.
A mãe que sofrera horrores olhava seu pequeno anjo virar um demônio.

Por mais que a música fosse algo belo
Por mais que o talento fosse tamanho, a ponto de reproduzir algo ouvido uma vez somente
Por mais que fosse o próprio filho deles
Por mais que o amor devesse ser algo incondicional

“Siga sempre em frente, sempre. Quando achar que não vai chegar a lugar nenhum, continue andando. Vá.” foi o que disse a mulher naquele dia.
Se ao menos ele não tivesse ouvido na noite anterior o que eles pretendiam
Se livrar do filho gênio
Se livrar do demônio
Conseguir o sossego uma vez mais.

Ao menino não foi dado mais do que o necessário para não morrer nas primeiras horas.
Afinal seria de péssimo tom se o corpo fosse encontrado próximo a casa.
Que vivesse por pelo menos um dia.
Que andasse para sempre.
Cedo ou tarde, com aquela tempestade, morreria.
A neve se encarregaria do resto.

Mas seria terrível assim o inverno,
a ponto de matar aquele a quem deu a luz?
O menino andou.
E quando achou que não chegaria a lugar nenhum, andou um pouco mais.
Depois do primeiro sol ele parou de contar as horas.
Depois que o pão acabou ele parou de se preocupar com a própria vida.
Faria ao menos algo bom para seus pais.
Se havia sido tão ruim assim para eles,
então ao menos morreria como eles desejavam.

Andando para sempre ele avistou uma luz.
Por um momento as palavras de seu pai vieram a sua mente
“Um professor vai ensiná-lo a lidar com esse seu dom.”
Por um momento acreditou que aquilo pudesse ser verdade.
Seguiu decidido rumo a luz e bateu na porta.
Um gentil casal o acolheu e cuidou do pobre coitado.

Não tinham em casa um piano ou qualquer outro instrumento.
Tudo o que podiam oferecer ao menino era uma cama, roupa e comida.
Foi então que o menino foi obrigado a domar seu dom.
Sem perceber eles acabaram sendo os professores.
Ele não precisava tocar. Só precisava pensar.
Em um aniversário do menino lhe foi dado papel e lápis

E então com aquele papel e lápis ele desenhou um piano.
Arrumando as teclas no chão ele tocou.
E até mesmo o casal que jamais ouvira o som de tal instrumento,
conseguiu ouvir o som da música do jovem.

Os anos se passaram e ele cresceu.
A necessidade retornara. Tocar em folhas não iria saciar sua fome.
E então ele achou como por milagre uma casa que diziam ter um piano antigo.
Agradecendo aqueles que o acolheram, ele se mudou.
E então toda a vila pode tomar conhecimento de mais uma alegria.






Desde muito pequena muito bonita.
A história dela não é algo surpreendente.
Talvez não seja nem algo que mereça ser narrado.
E ainda assim foi escrito.

Diário número 2 – a última vez em que ela foi livre e não sabia

Uma criança tão linda que fazia todos a sua volta felizes.
Uma criança de Deus.
Um ser tão puro que merecia a admiração de toda uma cidade.

Desde muito jovem tinha um vasto números de pretendentes.
Hoje não se lembra, pois naquela época ficou cega devido aquilo que chamam de amor.
Era muito jovem e dentre tantos pretendentes,
Escolheu logo aquele que a mais faria sofrer.

Ela não poderia estar ciente naquela época.
Inundada por promessas e palavras ela seguiu seus olhos sem piscar.
Fora avisada várias vezes de que talvez devesse esperar.
As pessoas já sabiam, ou previam, que tipo de homem ele era.
Ainda assim, casou-se.

Assim como passam-se os meses e as estações,
O que ela acreditava ser amor se revelou nada mais do que uma ilusão.
Assim como a vida passa,
Ela resolveu passar por sua própria.

Sofrera muito, sim, devido às amantes.
Sofrera ainda mais devido à bebida.

Assim como passa um rio, o dinheiro se tornou escasso.
E ela se viu forçada a ir trabalhar numa casa como acompanhante.

O lugar era maravilhoso, a patroa parecia um amor de pessoa.
O marido, estranho, preferia manter distância.
Que ela se lembrasse não falara com ele mais do que 2 ou 3 vezes.
Vezes essas que não fizeram a menor diferença em sua vida.

Ainda assim, como o tempo passa, algo engraçado acontece.
Mesmo quando decidimos ser espectadores de nossas vidas,
Mesmo quando decidimos romper laços com o mundo e apenas tentar passar pelos dias,
Novos laços se apresentam e nos vemos sem coragem o suficiente para cortá-los.

Tal laço durou por muito tempo e estreitou-se com a notícia da vinda de um bebê.
Sempre ali durante o tempo todo ela esteve.
E no dia do nascimento não seria diferente.

Entretanto se no trabalho ela acreditava ir tudo bem,
Em casa os problemas se acumulavam num canto chamado seu marido.
Todo o ódio, toda a raiva, tudo o que alguém pode sentir, acumulado num copo.

Em cada mão um mundo.
Em cada mundo uma escolha.
Naquele em que a felicidade parecia estar presente ela não passava de mera coadjuvante.
Noutro, apesar de personagem principal, lágrimas vinham visitá-la todo dia.

Cheia de coragem daquilo que admirava como feliz resolveu dar uma chance a si mesma.
Tentar construir a própria alegria sem ser mera marionete do destino.
Ah, se ao menos ela não tivesse nascido...

Por mais nobre que parecesse sua decisão,
E por mais que tentasse agradar aquele com quem casara,
Sabia que não poderia mais permanecer ali.

Olhando-se no espelho percebeu como a idade vinha bater em sua porta aos poucos.
Estivera tão surda a ponto de não ouvir as batidas?
Estivera tão cega a ponto de não enxergar a verdade que era óbvia.

E então num dia de inverno arrumou tudo o que tinha e partiu.
A seu lado o homem que ela acreditara amar.
Ela mesma não acreditava em como podia ser estúpida.
Mas havia sido assim desde que se lembrava,
E em sua cabeça seria mais seguro continuar aqui.

Depois de algum tempo a carroça chegou a uma pequena vila.
Os habitantes pareciam estranhos e olhavam com desconfiança para o recém-chegado casal.
Nem como nem porque, simplesmente se instalaram em uma casa.
E ali viveram sem incomodar ninguém.
Tratos cordiais, bom dia, boa tarde.
Ninguém perguntava e ninguém queria saber.

Até que por trás das olheiras da mulher começaram a ver brilhos.
O marido que não saia de casa. As idas a igreja, ao mercado.
Conversas de horas que lhe causariam dor horas mais tarde.
Aos poucos ela conquistou a simpatia de toda a vila.

Apesar de muito bonita desde criança, fora criada para ser inteligente.
Sua vinda de fora da vila também contribuía para o que ela podia contar.
Histórias e mais histórias sobre um mundo que ninguém ali parecia conhecer.

Um dia, triste dia aquele, ouviram-se gritos.
Preocupados, os habitantes da vila se aglomeraram em volta da casa.
Até que um baque seguido de silêncio os fez invadir o lugar.

A ultima coisa que ela viu foi uma caixinha de música no chão.

Ninguém mais se atreveu a falar no que ocorreu naquele dia.
As suspeitas de toda uma vila foram confirmadas e tudo terminou do pior jeito possível.
A confiança e simpatia criadas foram destruídas como uma tocha que se apaga.
Tochas se apagaram naquela noite.

Depois daquele exato momento, ninguém falou mais nada.
Como um relógio que para, ela voltou a ser espectadora.
Passar pela vida da maneira mais simples que pudesse.

Deveria sentir-se aliviada?
Não havia chegado a pensar que a causa de seu sofrimento e dor agora não existia mais.
Pensar em tal coisa seria aceitável?

Todo dia a mesma coisa. Os mesmos caminhos. As mesmas pessoas.
Conversas que poderiam durar horas nem se olhavam nos olhos.
Parando de falar. Parando de viver.
É uma pena que o tempo, e ninguém mais faça o mesmo.
Ela provavelmente não gostaria disso.
Morrer.

Se ao menos nos áureos dias de outrora...
Hah. Se ao menos isso fosse verdade...
Se realmente as pessoas acreditassem nisso...
No fundo, tudo seria melhor se ao nascermos fossemos diferentes.






Quantos pecados podemos carregar nas costas?
Quantos pecados podemos jogar nas costas dos outros?
O quão pecadores somos a cometer tais atos?
É verdade que aprendemos com nossos erros?
Será mesmo...?
O que o amor transformado em ódio não faz.
É uma pena não podermos escolher nossas vidas.

Diário número 3 – um milagre que chama sempre pelo mesmo nome

Como se não bastasse o sofrimento pelo qual aquela casa já passara.
Os fios do destinos tramavam mais uma vez sua tela.
E planejavam pendura-la em lugar de destaque, sobre a lareira.

Os anos que se sucederam após o terrível incidente de um homicídio planejado
Não poderiam ser mais tristes e sombrios.
A mulher que conhecera certa vez a luz,
Se atemorava diante de cada ranger de madeira.

Ela sabia, desde aquele tempo que ele estava cada vez mais distante.
Cansada de sofrer e arrependida de seus atos, ela chorou por uma vez,
E nunca mais.

Fingindo não ligar para as outras. Se arrumando horas na frente do espelho.
Se teria de morrer, que morresse bela. Que as aparências se mantivessem. Que ao menos isso ela pudesse controlar.

Não a culpo por tais sentimentos, mas não há como perdoá-la.
Ah, como se já não tivesse vivido o bastante,
Como se sua cota de pecados já não fosse suficiente...
Ah, o destino ainda lhe aguardava uma outra surpresa.

Certo dia de chuva ele retornara mais alto do que de costume.
E com ele um bebê.
Cenas de anos antes voltaram à sua mente.
Cenas que se repetiriam não do mesmo modo, mas da mesma maneira.

Sem olhar para o rosto da mulher ele se jogou no sofá.
O bebê foi deixado sobre a mesa, chorando.
Com medo, ela não perguntou tudo aquilo que queria saber
E que no fundo não precisava perguntar pois já sabia.
“O filho é seu? Pretende que eu o crie? Você não sente mais nada... não é mesmo?”
São raras e preciosas as vezes em que procuramos desesperadamente por um não.

Voltando os olhos para a criança, ela fitou-a por instantes.
“Vamos chamá-la Mary” disse ele se levantando
“Mary?” perguntou preocupada, visivelmente preocupada sua voz
“Sim, Mary” e subiu para o quarto.

Ah, pobre criança cujo nome fora decido assim, desse modo.
Ah, nunca conhecerá sua mãe,
E provavelmente nunca conhecerá a felicidade.
Mas de que modo posso afirmar se ela sorri todo dia?

Ao ouvir aquelas palavras a mulher já sabia.
Antes mesmo de que acontecesse, o destino da menina já era conhecido.
E antes mesmo de que pudesse tomar conhecimento de si, já era odiada por milhares de pessoas.

O pai que não a queria. O pai com segundas intenções.
A mãe que foi privada de seu tesouro. A madrasta corroída por ciúmes.

Quanto mais o tempo passava, mais Mary crescia para ser uma linda menina.
E quanto mais bonita Mary se tornava, mais frequente se tornavam as visitas.

À noite, principalmente.
Ah, como Mary odiava a noite.
A noite podia-se ouvir Mary chorando.
Acompanhada por dentes que mordem firmemente o travesseiro.

Quando completou 8 anos Mary já havia se acostumado.
Pusera em sua cabeça que aquele era seu papel.
Por não conhecer nada além daquilo,
Acreditava que aquela vida era a ideal.

“Você não vai... ganhar de mim.”
Palavras ditas com tanto rancor e com tanta esperança.
Ainda não sei se devo aplaudi-la ou condená-la.
Pode-se culpar um coração doentio?

Sim.
Uma alma doentia cria outra igualmente doentia, e assim segue para a eternidade.
Uma mãe que maltrata um filho. Um filho que traí a esposa. Um marido que abandona o filho.
Um pai que transfere sentimentos para a filha. Uma madrasta que odeia e ama mais que tudo.

Arrependida de seus atos... E ainda assim atentou contra a vida de outra criança.
Naquele dia... “Ah, odeio-te tanto que nem sou capaz de matá-la eu mesma”

Como pode uma criança carregar outra?
Não pode.
E carregando as duas a mulher atravessou a neve, a floresta, o caminho...
Enterrando o bebê na neve ela olhou uma ultima vez para Mary.
“Maldito nome... Maldito nome esse o seu...” e partiu.
E foi assim que Mary foi achada.
Essa é a história do pequeno raio de sol dessa triste vila.
Acolhida por uma senhora no pé da montanha, Mary cresceu até a idade que tem hoje.
Curiosa, traiçoeira.
Me pergunto se ainda possui os traços daquela que foi um dia?
Ah... Não tente fugir da vida,
Ela não tenta fugir de você... Por mais que queira.







Dizem que a partir de certo tempo começa certa história.
Porque é mesmo que a contamos?
Já não nos basta vivê-la?
Imagino qual é a utilidade da própria vida...

Diário número 4 – porque ninguém nunca vai entender não significa que ela vai mudar

É como uma triste canção de outono.
Todos apreciam, choram e vão embora.
Não como uma canção de inverno, que fica para sempre guardada em suas memórias como algo triste.

Ah... Tanta importância à uma só estação.
Igualmente belo, nos bastidores...
Nem mesmo aqueles que nele viveram, ele preferem.

Ele destoa. Ele grita. Ele urge.
E ainda assim elegante, permanece onde está.

Como o outono, ela é.
Como ele, ela se sobressai aos demais.
Tão clara sua ligação com ele. Tão viva. Tão melancólica.
Imagino se sempre foi assim.

Infelizmente, por ser outono, não posso saber... Não tenho como.
Nem tudo está em nossas mãos.
E por ser outono me intriga.

Como o outono é certo, certa ela é.
Assim como há a certeza de que ele virá, ela sempre está ali.
A certeza existe e ela é a prova.

Ah... Enrolações...
Que posso eu fazer se nesse quarto diário não há o que ser escrito...

A verdade?
Poderia escrevê-la. O faria se soubesse.
A verdade?
Ah... Me pergunto se ela mesma sabe.

Talvez sim. É provável que por ser outono ela saiba.
E ainda assim o outono vive no inverno. No inferno.
Por mais que me intrigue não deixo de ter pena.
Os sentimentos se confundem. Porque me abala?

O raio de sol deveria ser o suficiente nessa vila branca para trazer alegria a todos.
E o que me traz alegria não é somente o raio de sol,
É o outono... Que há muito já passou


Diário número 4 – parte 2 – Não é triste a chuva? O diário de uma observadora.

Todo dia. Todo o dia.
Ela sabe que a olho. Ela pensa que eu não sei disso.
Todos sabem.
Uma pequena irritante ela é.

Ah, seu eu pudesse matá-la! Se pudesse por minhas mãos em volta daquele pescoço...
Ah! A marca do anel naquela pele branca...
O suspiro lento que embaça a lente.

Ah... Os olhos que se fecham.
Os braços que caem.
AH! A felicidade!

Se ao menos eu pudesse tocá-la...

Todo o dia. Todo o dia.
Descendo daquela loja ela vem e chama os olhares para si.
Ah... Porque faz isso? Porque faz isso comigo?
Te divertes ver-me sofrer...

Ah, seu eu pudesse matá-la... Se pudesse manchar seu pequeno vestido.
Pequeno, ele é. Branco. Neve.
Se eu pudesse colori-la como um livro ilustrado...
Se eu pudesse fazer seus olhos colorirem sua própria vida.

Ah... Se aquele sorriso não me fascinasse...
Se eu não morresse um pouco toda vez que ela me olha com aquele rosto...
Aquele rosto de quem sabe o que está fazendo e debocha de você.
Ah... Não teria graça se não fosse assim.

Lute! Se debata contra as mãos fortes que te aprisionam! Morda!
MORRA!

Ahhhh....


Parte 4 - Pensamentos
Spoiler:
Onde está o lugar para o qual devemos retornar?
Existe?
A ilusão de uma realidade.
A ilusão de um sonho.
Nossos mundos pessoais se encontram...
Nossos paraísos são na verdade apenas um.
Pode esse paraíso ser concreto? Real?
Onde está o lugar de onde partimos?
Onde está o lugar onde devemos estar?

Pensamento número 1 - Prelúdio de um Fim

Você já viu a chuva?
Já viu o sol?
Alguém morrer?
Se visse... Você sorriria?

Quantos horizontes existem para uma só pessoa?
Quantos podemos alcançar?
Será mesmo verdade que nossa mente nos basta?

Eu sou a morte.
Eu sou a lágrima que escorre por sua face.
Eu sou aquele por quem você chama.
E aquele que você teme.

Devolvendo as vidas, tomando as rédias.
Amo namoradas, namorados, adultos, crianças, seres queridos.
Amo você.

Uma promessa traiçoeira.
Até quanto tempo mais será assim?
De repente todos caem.
Continuaremos procurando até encontrarmos o nada?

Em apenas um momento dia e noite são iguais.
Até onde a luz amarela inunda o cenário?
Quantas janelas alguém consegue ver em uma vida?

Porque você despreza o destino?
Porque acredita nele?
Você simplesmente morre. Veja a luz.

Dois então se tornarão um.
A vida e a morte.
O destino e a vida.
Os vivos e os mortos.

Em apenas um momento dois podem se encontrar.
Nesse único momento que lhes é precioso...
Apenas nesse instante tudo faz sentido.



Pensamento número 2 - Epílogo de um Começo

Alguém chora no paraíso.
Porque alguém chora no paraíso?

Se o céu é tão azul e a noite tão gentil,
então porque vivemos cercados por tristeza?

Se é verdade o que dizem...
Porque existe o inverno?

A tristeza e o sofrimento.
O caminho de felicidade para um novo mundo.
Será isso do que é feito o homem?

Você sabe que há alguém chorando?
Você vê o céu anunciando chuva?
Não deveria ser ele sempre feliz?

A voz ao longe diz o nascimento, a dor, o desejo.
Para ser traída por um sono profundo,
prefiro cair em um eterno abismo.

Não faz sentido.
Porque faria?

Desde quando observar tornou-se algo tão complexo?
Desde quando fazer nada passou a ser algo digno de atenção?

Porque não viram os rostos?
Porque não viram os olhos para outro lado?

Eu sou o nascimento. Eu sou a pureza.
Eu sou a traição.
Eu sou o sono profundo.
Eu sou a lágrima que cai por seu rosto.
Eu sou aquela que chora por você toda vez.

Quando os sons se confundem com vozes...
Ah, o que podemos esperar desse mundo envolto em branco




Pensamento número 3 – Uma marionete com vida

Mesmo assim ela abre os olhos.
Isso não foi ontem?

Não foi o vento que chamou?
Onde será que ela dorme?

Certo... Não há esse tipo de coisas aqui.
Que tipo de coisas existem aqui?

Você sabia que há um lugar esperando por mim?
O céu.

O céu já veio?
Onde então vou cair?

Ah... Porque meu ultimo desejo não pode ser realizado?
Já foi?

Que lugar é esse onde o que se pensa não é,
E o que é, já foi?

Querendo tudo o quanto podemos, estendemos nossas mãos para um futuro.
O futuro existe?

Ne... Ele realmente existe?

O que é o tempo?
Com o que se parece?
Porque ele não passa?
Se nunca foi visto, como pode passar?

Ah... Eu escolho a promessa que foi feita.
Não me importa o que é.
Não me importa quem é.
Eu morrerei.

Não são as mentiras que regem o mundo?
Então é verdade que minto eu também.
Isso em si não seria uma mentira?
Ah... Até para mim isso é complicado.

Não ria.
Não chore.
Eu sou aquela que está a seu lado lhe fazendo sorrir.
Eu sou aquela que quer morrer e ninguém sabe.
Eu sou aquela que um dia vai desaparecer.
Eu sou aquela que faz toda a diferença e sobre quem todos comentam.
Eu sou aquilo que vocês chamam de perfeição.

Hihi.




Pensamento número 4 - Silhueta sob a luz de uma vela

Vermelho a azul. Amarelo a verde. Preto a branco.
Tudo muda.

Podem cores ter sentimentos?
Têm elas sensações que desconhecemos?

Uma silhueta que acena ao longe.
O palco onde ela está parece distante.

Ah... O sangue dele é tão doce...
Como o vinho que transborda.
Ah... Sou uma pecadora por pensar tal coisa?

Desde quando penso assim?
Desde quando alimento tais impulsos?

De um vermelho afiado.
De um amarelo traidor.
A um azul frio.
A um verde sério.
Um branco vazio.
E um preto igualmente decepcionado.

Estamos todos nas mesmas prisões internas?
Quando tais prisões se transformaram no que são?
Desde quando pararam de ser o paraíso?

Podem as pessoas ter sentimentos?
Não seria melhor se fossemos cores?
Eu seria vermelho.

Ah... O sangue dele é tão doce!
AH! Como o vinho...
Ah... Quando foi que experimentei?

Minhas memórias... Desde quando as tenho?
Uma existência tão fraca deveria ter sido confiada a mim?

Ah... Tive em minha mão tantos destinos...
Sou aquela em quem você confiou.
De quem teve pena.
E em cada oportunidade que tive fiz questão de me rebelar...

Ah... Nada chora.
Nem mesmos essas barras.
O metal frio é mesmo frio não é?
A luz não é quente?

Se eu fosse uma cor seria o cinza.
Cinza nulo. Morto.




Um dia vermelho

A promessa que foi amaldiçoada no dia que feita.
A escuridão continua a nos perseguir
E não há o que fazer.
Nós aceitamos nossos destinos.

Nada foi esquecido?
Em um mundo sem o raio de sol...
De que cor serão as árvores?

Tudo começou naquele dia daquele encontro.
As lágrimas não eram de tristeza, nem de alegria.
Eram simplesmente porque estava vivo.

O mundo cai.
Tudo desaba, mas permanecemos aqui.

A última arma. O último recurso.
Não há porque pensar duas vezes.
Há somente pelo que hesitar.

A promessa amaldiçoada no dia que o mundo ganhou vida...
Nesse mesmo mundo sem vida...
Tudo será branco.


Parte 5 - Indagações
Spoiler:

O que?

Todos os caminhos levam ao mesmo lugar.
Muda a distância.
Mudam as pessoas.
Muda o tempo.

O ignorante é mais feliz?
Até mesmo o ignorante caminha para esse mesmo lugar.

O semitom da trilha
O fim eu já sei
História.

O ódio da felicidade
Não é uma lágrima que cai.


Onde?


Onde é o lugar da primeira felicidade?

Você é feita de porcelana?
Seus olhos são de vidro?
Se eu te tocar, você quebra?

A lua vermelha que descende
A flor branca que nasce
O contraditório se torna comum

A água que tremula
Toda vez que alguém corre.
O sonho que vi
É para sempre uma harmonia silenciosa.

Porque as pessoas gritam?
Porque as pessoas ficam sozinhas?
Tudo é um sonho gelado.

Eu escolhi viver.
O primeiro desejo que nasce e ascende até o céu
É uma triste melodia de lágrimas.

A música que nasce pela primeira vez nesse mundo.
O mundo que nasce constantemente a cada música.

Cada cenário que se torna e que é.
Cada ator que desempenha
Cada corpo que cai.

Dentro do verão não há lugar para tristeza
Mas isso é o inverno.
A flor negra.
O sonho perdido.
A procura do tempo.
Que lhe parece a vida?

Eu morri como a lua no primeiro céu.
O vermelho se reflete.
Uma prece que é suspirada pelos lábios cansados...
Você aceitaria a morte se ela lhe pertencesse?

A felicidade está certamente no próximo mundo.


Por que?


O caminho do sonho é aquele que nos leva a realidade?
O que é real?
De que são feitas as pedras que nos sustentam?
De que é feito o céu que nos protege?

A redenção só vem quando há arrependimento?
Há espaço para o arrependimento?
Por quanto pode ser vendido o perdão?
Quando vale uma palavra?

Quanto vale um sonho?
E se eu pintá-lo de vermelho?

De quanto em quando podemos acumular coisas?
Até que altura vai nossa ambição?
Até que Lua vão nossos esforços?
Até quem podemos confiar?

Desde quando podemos ser considerados humanos?
Desde Adão e Eva que nos perguntamos?
Para que precisamos de respostas?

Porque um sinal ao fim de uma afirmação põe tudo a perder?
Porque se releva tudo o que é dito como uma pergunta?
Porque ninguém leva a sério um questionamento?

Se eu afirmasse todo o resto,
você acreditaria em mim?

Faria sentido?
Você riria?


Uma Noite

O ambiente que nos cerca é normal
O que vemos todos os dias é o que vivemos
Para onde vamos é onde estamos
Naquele tempo em que tudo era mais fácil
Dias de juventude
Que juventude é essa que não vi passar?

Os mesmos corredores
Os mesmos armários
Sapatos que não foram trocados
O pó que se confunde com o giz
O chão que se confunde com a terra
Um túmulo para aqueles que não começaram a viver

O som da madeira que ecoa
Os passos que andam
A pessoa que caminha
Por onde ela andava,
Que não viu todo o resto passar?

O cabelo que bate gentilmente no rosto.
O suor
As lágrimas
O sangue
A mão que arrasta uma arma
A arma que passa por cima de corpos
Pessoas que dormem banhadas à eternidade

A escuridão do lado de fora
Só não é maior pois as nuvens permitem que a lua passe
Naquela iluminação precária
Refletindo em reflexos
Um sorriso aparece
O passo cessa
O som agora
É o de uma gargalhada
Que se confunde com um choro

Alguém que chora.
Alguém que ri.
A comédia de uma tragédia
Nada mais é do que a vida.

O que a necessidade não nos obriga a fazer?
Me importo menos com os outros por protege-la mais?

As lágrimas de medo.
De ódio.
De alegria.
Qual exatamente é o sentimento daquela que sobreviveu?

parte 6 - Escolhas
Spoiler:

O início da morte

Você já ouviu falar em tristeza?
Já ouviu falar em dor?
Já ouvir falar em morte?

Já ouvi falar em solidão.
Já ouvi falar em lágrimas.
Já ouvi falar em existência.

Já ouviu falar em alegria?
Já ouviu falar em futuro?
Já ouvir falar em felicidade?

Já ouvi falar em sorrisos.
Já ouvi falar no amanhã.
Já ouvir falar da vida.

Você sabe o que significa metade?
Eu sei o que significa metade.

Você sabe o que significa a perda?
Eu sei o que significa a perda?

Você entende o que é dever?
Eu entendo o que é dever.

Você tem medo?
Sim.

Eu tenho escolha?
Você não tem escolha.

Eu vou morrer?
Não.
Ainda serei eu?
Não.

Silêncio.
O ar que podia ser cortado.
A menina que sofria.
A mulher que esperava.

Se nossas vidas se resumissem a apenas um momento
E esse momento resumisse a vida de tantos outros
Seriamos egoístas?
Ao saber do peso
Escolheríamos nós mesmos?

Com um sorriso amargo
Encarando a face sem expressão
A menina deu um passo rumo ao fim.



A última dança

Você entende que é fim
Sem precisar lembrar quando foi o começo
Os tecidos dançando no vento
A tempestade que não cessa

A menina que segue seu caminho
A mulher que mostra a direção
Uma após a outra
Em uma espécie de parada

Não há música.
Não há alegria.
Há o céu negro
E as nuvens carregadas.

Há a tristeza
E a aproximação do fim.
Há uma pessoa à espreita.
Há uma seguidora silenciosa.

Há uma sobrevivente.

Uma parada de três.
Alguém que não sabe para onde vai.
Alguém que se sente perdida.
Alguém que não sabe que a outra
Está mais perdida do que si mesma.

Três pessoas que caminham rumo ao fim.
A única melodia é o vento balançando as árvores
O vestido. A saia. O cabelo.
Há apenas o assobio dos pássaros.
Há apenas a chuva que se aproxima.

Nesse desfile desarrumado.
Nessa sinfonia desafinada.
A última dança segue sem ter um fim.
Até que termine.



O jardim de rosas que o tempo destruiu

A vida pode ser comparada a tudo
A melhor comparação de que já tive notícias
Foi a um jardim de rosas.

A vida é tal qual um jardim.
Não de lírios.
Não de hortênsias e orquídeas.
Mas de rosas.

Rosas vermelhas como o sangue que há em nós.
A chuva que o move e rega tal qual como nossas lágrimas
e toda a tristeza em nós presente.

As folhas verdes como todo o resto sobre o qual temos que nos sobressair.
Uma rosa inglesa.

E assim como o jardim é destruído pelo tempo
A beleza de nossa vida é destruída por ela mesma.
Rosas morrem assim como pessoas.

Como comparar nossa existência com a de uma rosa?

A maior semelhança sempre será a do tempo.
Uma pessoa inútil
como uma rosa prestes a morrer
Não é bela. Não presta.

Nossa vida é tal qual aquele jardim de rosas.
Você se lembra?
Se lembra?
Lembre.

Porque se foi esse jardim que lhe deu a vida.
É nesse jardim que a verá partir.
É nesse jardim que os sonhos serão tomados
E ainda assim é nele que a vida será mais uma vez dada.

Ah, porque? Porque tem de se deixar tomar?
Como uma rosa
Prestes a morrer.



A escuridão branca

A forma com a qual nos deparamos
Não era nada além de pura branquidão.
E a sensação é tão somente
a de estar envolto em profunda escuridão.

O tempo que demoramos para chegar ali não podia ser contado.
De tão longe parecia irreal.
Uma profunda floresta.
Um céu inacabável.

Gire, gire, é sua vez.
A lua cheia prateada.
Voe, voe, é sua vez.
Uma ilusão interminável.

Perdidas como se não soubéssemos onde estávamos.
E provavelmente como se o amanhã não fosse chegar.
Uma gentil luz.
Um vento vermelho.

Gire, gire, não erre.
A lua cheia dourada.
Desabe, desabe, não caia.
Nesse mundo de trevas, um desejo é ouvido.

Podemos ser inundados por esperança.
Eu acreditava que não até aquele momento.
A tensão era tanta
que a morte parecia iminente.

Gire, gire, olhe.
Uma canção sozinha.
A lágrima de um cordeiro.
Viva, viva, abra seus olhos.
Agora a vida se põe diante de ti.



A verdade ilusória

Uma profunda tristeza.
Um profundo medo.
Lágrimas tão profundas que comoviam.
É triste ver seu destino desaparecer.

O que pode-se fazer diante de escarlate tão rubro?
Não há como desviar o olhar de tamanha grandeza.
Como aturar a pressão sobre seus ombros?
Quando olhando para a perfeição
Não se pensa em mais nada além da morte.

Olhando para a luz da lua acima de nós.
Ainda é noite.
O som do céu.
O segredo que desabrocha.
Rosa inglesa.

O igual pode ser assustador
quando não se quer ser igual.
Quando que se imaginaria
ser impossível haver algo tão incrível assim.

Olhando uma a outra.
As pupilas que se encontram
Quando fazem de tudo para se evitarem.

Uma prece a partir dos olhos.
Rosa inglesa.
Vermelho, vermelho.
Branco.

O frio. A dor. A fome. A solidão.
Todos os sentimentos à tona.
Todos eles ali, presentes.
Todos eles...
Todos...
a todos...
vi desaparecer na minha frente.

Estava viva.
Estava tranquila.
Estava bem.
Estava feliz.

E então olhando para mim mesma
Estava morta.



O paraíso ao lado

Você sabia que o paraíso existe?
Que pode ser em qualquer lugar
Onde quiser.
O paraíso é pessoal
Ele não morre
nós apenas paramos de procurar.
Nos casos mais tristes
os perdemos.

Você sabia que o paraíso tem a cor que quisermos que ele tenha?
E sabia que na maioria dos casos ele é branco?
É o chamado paraíso comum.
E quando paraísos comuns se encontram
cria-se uma vila.
Sabe-se lá quantas vilas existem.
Ou quantos paraísos as formam.
Sabe-se lá quantos paraísos são brancos.

E quanto aos paraísos coloridos?
Ah... Eles são...
São gotas de chuva que não atingem o solo.
São nuvens perdidas num céu azul.
São raios de sol que não iluminam rostos.
São felicidades eternas...
Raras.

E esse paraíso? Ele é bom?
Ora, se é o paraíso...
E esse paraíso... Vai me curar?
Mas se é o paraíso...

E nesse paraíso... Tem a primavera?
Em algum.

Em algum paraíso certamente há a primavera.
No meu?
É branco?

Não.
No paraíso branco só há o inverno.
Só e tão somente o inverno
branco como o paraíso.

Não quero.
Não quero um paraíso branco.
Mas é o paraíso.
Se no paraíso branco só há branquidão
Como pode ser chamado de paraíso?
Se esse paraíso é a junção de paraísos...
Então esse paraíso não é meu.


Sua vida como um segundo

A noção de tempo
É algo real?
O quanto demora para tomarmos conhecimento?
Depende do conhecimento e da pessoa?

O tempo nesse lugar
É o mesmo daquele que conhecíamos?
Ou o tempo daqui...
É nosso amigo?

Há como sair?
O tempo deixa?

Afundando os pés na neve
Correndo em uma linha reta
Impedida antes que se perdesse
Não há como fugir.

E se não quiser
Mesmo esse sendo o paraíso
Você vai sofrer.

Os joelhos alvos na neve.
O choro contido pelas pequenas mãos.
Os olhares voltados para ela.
Os soluços que se misturavam com gritos.

A agonia. O desespero.
Porque o mundo depende de mim?
Porque de mim?

As pessoas nascem com um propósito.
Você nunca foi você.
Você sempre foi a metade.
Não é a você que o mundo quer
Porque você não pode existir
Como nunca existiu.

A dor. O sofrimento.
É difícil aceitar que sou como ela.
Não quero...
Meus olhos não são...
Rosa inglesa.

O rosto na neve.
Encolhida.
O frio. A solidão.
Abraçando-se. Fazendo de tudo
para ficar o mais junta possível de se mesma.
A menina se arrependera.

Parte 7 - Conclusão
Spoiler:

O momento no qual dois se tornam um

Por favor, fique aqui
ao meu lado.
O amor e a dor são procurados pelo coração.
Por isso fique aqui,
pessoa importante.

O sorriso que a mão lhe oferecia
Ela sabia que era o fim.
Sabia que não havia como fugir.

Nee, porque?
Mostre-me seu lindo e triste sorriso.
Essa música é somente de nós duas.

Nee, eu te amo.
Que tipo de sonho você quer de presente?
Para você eu lhe dou o arco-iris.

O amor e o sofrimento estão sempre presentes nos corações.
Para esse você que é um sábio,
eu dou meu coração.

Os fios sobre o rosto.
As lágrimas congeladas pelo frio.
Levantando a cabeça
A menina fechou os olhos
E aceitou seu fim.

E como se uma luz pudesse vir do céu
Num passe do que se chamaria mágica
A menina sumiu.

A menina se uniu.
A menina sumiu.
A menina surgiu.

Quando duas metades originalmente perfeitas são postas juntas
É esperado que o perfeito se torne completo.
Mas quando uma das metades está desequilibrada
O que então ocorre ao balanço?

Ah, se ela não estivesse morta...
Se não estivesse manchada...
Se não quisesse ser adulta...

Mentindo.
E então o equilíbrio não existia.
O perfeito não existia.
No lugar dele...
algo assustador nascera.

Uma luz.
Um nada.
Tudo igual.
Tudo branco.

Retorno da Perfeição

Adeus.
Nesse inferno eu gritarei.
Obrigada.
Eu realmente odiava a todos.
Por mais que minha cabeça doa
Eu gritarei.

Por tempos não mais poderei ficar aqui.
Por séculos que serei banida de tudo.
Por vidas que não voltarei a viver.
Mas voltarei.
Em uma vida,
certamente.

Daquele inferno eu gritei.
Que inferno era aquele
que tinha a cor branca como algodão?
Não havia som
Não havia dor
Era branco
E branco terminava.
Que inferno era aquele do qual me libertei?

Eu respiro!
Eu vejo!
Eu sinto!
Estou viva.
Que benção poder caminhar novamente...
Mas quem?
Quem teve que morrer
para que eu pudesse me levantar?

Daquela vez na qual morri
Se é que aquilo que me ocorreu foi morte
Daquela vez eu vi
Eu lembro
ou penso que lembro de ter visto
Eu vi os olhares
Os lábios
As palavras.
Adeus
ele disse.

Adeus e até logo.
O logo chegou.
Estou de volta
mais uma vez
A perfeição renasce.



O último sorriso da outra metade

Se você sorrir
Então o mundo será mais sorridente
Não é porque algo caiu
Que todo o resto irá despencar

Não é porque uma lágrima rola
Que devo estar triste
Não é por estar errada
Que devo chorar

Não é porque coisas ruins existem
Que as boas não podem coexistir
Não é porque me sinto desse jeito
Que me sinto assim sempre

Toda a angustia e solidão
Toda a raiva e o descontrole
Tudo o que de ruim pode nos cercar
Com certeza nos cercará.

Não quero se a única a ver algo além de branco.
Não quero ser a única a acreditar em um dia melhor
Não serei a única a sorrir no final
Porque para sorrir no final é preciso sorrir no caminho

Não é a vergonha
que me impedirá de viver.
Não quero ajuda.
Por pior que eu possa estar
Não quero falar sobre isso.
Não quero ver ou discutir.
Sei que sinto.
Sei o que faço.
Sei o que fazer para melhorar...
Basta esquecer.

Então eu esqueço de tudo
Esqueço da dor
Esqueço do horário
Esqueço da responsabilidade
Esqueço da razão.

Se o que me custa um sorriso é a penalidade
Não me punirei.
Porque apenas eu mereço isso?
Porque apenas eu devo sumir?
Não vou sumir.
Não quero sumir.
Não quero uma nuvem negra sobre mim.

Não me importa se o mundo é ou não minha responsabilidade
Não me importa nem se em meu pequeno mundo eu importo
Não vou me colocar no centro
Não vou deixar que me coloquem lá.
Não serei um peso
E não suportarei nenhum.
Ser leve
Ser livre
Ser eu mesma.
Poder olhar para tudo e sorrir.
Poder lidar com a falha e sorrir.

Quem liga se eu erro
Se não somente eu mesma?
Minha vida não precisa ser resumida nos lugares onde vou
Ou nas pessoas que conheço.
Quero ir mais
Conhecer mais
Quero ser como antes
Sendo agora.

Não é aprender com os erros
Porque não errei.

Então que eu me veja sozinha
Que eu não tenha com quem falar
Ainda assim estará tudo bem
Porque eu sei que estará tudo bem.




Última edição por Beatorisu em Qui Jul 21 2011, 21:10, editado 8 vez(es)
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Mensagem por Bayu~ em Sab Set 04 2010, 10:21

Noooossa o_o eu demorei um ano pra ler mas eu amei!!!!
Principalmente a parte 2 e a parte 3!

Sério, ficou muito amor, Bea <3

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Mensagem por Beatorisu em Dom Set 12 2010, 14:24

Brigada Bayuuu~~ <3

mais uma parte ~

parte 6 -
Spoiler:

O início da morte

Você já ouviu falar em tristeza?
Já ouviu falar em dor?
Já ouvir falar em morte?

Já ouvi falar em solidão.
Já ouvi falar em lágrimas.
Já ouvi falar em existência.

Já ouviu falar em alegria?
Já ouviu falar em futuro?
Já ouvir falar em felicidade?

Já ouvi falar em sorrisos.
Já ouvi falar no amanhã.
Já ouvir falar da vida.

Você sabe o que significa metade?
Eu sei o que significa metade.

Você sabe o que significa a perda?
Eu sei o que significa a perda?

Você entende o que é dever?
Eu entendo o que é dever.

Você tem medo?
Sim.

Eu tenho escolha?
Você não tem escolha.

Eu vou morrer?
Não.
Ainda serei eu?
Não.

Silêncio.
O ar que podia ser cortado.
A menina que sofria.
A mulher que esperava.

Se nossas vidas se resumissem a apenas um momento
E esse momento resumisse a vida de tantos outros
Seriamos egoístas?
Ao saber do peso
Escolheríamos nós mesmos?

Com um sorriso amargo
Encarando a face sem expressão
A menina deu um passo rumo ao fim.



A última dança

Você entende que é fim
Sem precisar lembrar quando foi o começo
Os tecidos dançando no vento
A tempestade que não cessa

A menina que segue seu caminho
A mulher que mostra a direção
Uma após a outra
Em uma espécie de parada

Não há música.
Não há alegria.
Há o céu negro
E as nuvens carregadas.

Há a tristeza
E a aproximação do fim.
Há uma pessoa à espreita.
Há uma seguidora silenciosa.

Há uma sobrevivente.

Uma parada de três.
Alguém que não sabe para onde vai.
Alguém que se sente perdida.
Alguém que não sabe que a outra
Está mais perdida do que si mesma.

Três pessoas que caminham rumo ao fim.
A única melodia é o vento balançando as árvores
O vestido. A saia. O cabelo.
Há apenas o assobio dos pássaros.
Há apenas a chuva que se aproxima.

Nesse desfile desarrumado.
Nessa sinfonia desafinada.
A última dança segue sem ter um fim.
Até que termine.



O jardim de rosas que o tempo destruiu

A vida pode ser comparada a tudo
A melhor comparação de que já tive notícias
Foi a um jardim de rosas.

A vida é tal qual um jardim.
Não de lírios.
Não de hortênsias e orquídeas.
Mas de rosas.

Rosas vermelhas como o sangue que há em nós.
A chuva que o move e rega tal qual como nossas lágrimas
e toda a tristeza em nós presente.

As folhas verdes como todo o resto sobre o qual temos que nos sobressair.
Uma rosa inglesa.

E assim como o jardim é destruído pelo tempo
A beleza de nossa vida é destruída por ela mesma.
Rosas morrem assim como pessoas.

Como comparar nossa existência com a de uma rosa?

A maior semelhança sempre será a do tempo.
Uma pessoa inútil
como uma rosa prestes a morrer
Não é bela. Não presta.

Nossa vida é tal qual aquele jardim de rosas.
Você se lembra?
Se lembra?
Lembre.

Porque se foi esse jardim que lhe deu a vida.
É nesse jardim que a verá partir.
É nesse jardim que os sonhos serão tomados
E ainda assim é nele que a vida será mais uma vez dada.

Ah, porque? Porque tem de se deixar tomar?
Como uma rosa
Prestes a morrer.




A escuridão branca

A forma com a qual nos deparamos
Não era nada além de pura branquidão.
E a sensação é tão somente
a de estar envolto em profunda escuridão.

O tempo que demoramos para chegar ali não podia ser contado.
De tão longe parecia irreal.
Uma profunda floresta.
Um céu inacabável.

Gire, gire, é sua vez.
A lua cheia prateada.
Voe, voe, é sua vez.
Uma ilusão interminável.

Perdidas como se não soubéssemos onde estávamos.
E provavelmente como se o amanhã não fosse chegar.
Uma gentil luz.
Um vento vermelho.

Gire, gire, não erre.
A lua cheia dourada.
Desabe, desabe, não caia.
Nesse mundo de trevas, um desejo é ouvido.

Podemos ser inundados por esperança.
Eu acreditava que não até aquele momento.
A tensão era tanta
que a morte parecia iminente.

Gire, gire, olhe.
Uma canção sozinha.
A lágrima de um cordeiro.
Viva, viva, abra seus olhos.
Agora a vida se põe diante de ti.




A verdade ilusória

Uma profunda tristeza.
Um profundo medo.
Lágrimas tão profundas que comoviam.
É triste ver seu destino desaparecer.

O que pode-se fazer diante de escarlate tão rubro?
Não há como desviar o olhar de tamanha grandeza.
Como aturar a pressão sobre seus ombros?
Quando olhando para a perfeição
Não se pensa em mais nada além da morte.

Olhando para a luz da lua acima de nós.
Ainda é noite.
O som do céu.
O segredo que desabrocha.
Rosa inglesa.

O igual pode ser assustador
quando não se quer ser igual.
Quando que se imaginaria
ser impossível haver algo tão incrível assim.

Olhando uma a outra.
As pupilas que se encontram
Quando fazem de tudo para se evitarem.

Uma prece a partir dos olhos.
Rosa inglesa.
Vermelho, vermelho.
Branco.

O frio. A dor. A fome. A solidão.
Todos os sentimentos à tona.
Todos eles ali, presentes.
Todos eles...
Todos...
a todos...
vi desaparecer na minha frente.

Estava viva.
Estava tranquila.
Estava bem.
Estava feliz.

E então olhando para mim mesma
Estava morta.




O paraíso ao lado

Você sabia que o paraíso existe?
Que pode ser em qualquer lugar
Onde quiser.
O paraíso é pessoal
Ele não morre
nós apenas paramos de procurar.
Nos casos mais tristes
os perdemos.

Você sabia que o paraíso tem a cor que quisermos que ele tenha?
E sabia que na maioria dos casos ele é branco?
É o chamado paraíso comum.
E quando paraísos comuns se encontram
cria-se uma vila.
Sabe-se lá quantas vilas existem.
Ou quantos paraísos as formam.
Sabe-se lá quantos paraísos são brancos.

E quanto aos paraísos coloridos?
Ah... Eles são...
São gotas de chuva que não atingem o solo.
São nuvens perdidas num céu azul.
São raios de sol que não iluminam rostos.
São felicidades eternas...
Raras.

E esse paraíso? Ele é bom?
Ora, se é o paraíso...
E esse paraíso... Vai me curar?
Mas se é o paraíso...

E nesse paraíso... Tem a primavera?
Em algum.

Em algum paraíso certamente há a primavera.
No meu?
É branco?

Não.
No paraíso branco só há o inverno.
Só e tão somente o inverno
branco como o paraíso.

Não quero.
Não quero um paraíso branco.
Mas é o paraíso.
Se no paraíso branco só há branquidão
Como pode ser chamado de paraíso?
Se esse paraíso é a junção de paraísos...
Então esse paraíso não é meu.


Sua vida como um segundo

A noção de tempo
É algo real?
O quanto demora para tomarmos conhecimento?
Depende do conhecimento e da pessoa?

O tempo nesse lugar
É o mesmo daquele que conhecíamos?
Ou o tempo daqui...
É nosso amigo?

Há como sair?
O tempo deixa?

Afundando os pés na neve
Correndo em uma linha reta
Impedida antes que se perdesse
Não há como fugir.

E se não quiser
Mesmo esse sendo o paraíso
Você vai sofrer.

Os joelhos alvos na neve.
O choro contido pelas pequenas mãos.
Os olhares voltados para ela.
Os soluços que se misturavam com gritos.

A agonia. O desespero.
Porque o mundo depende de mim?
Porque de mim?

As pessoas nascem com um propósito.
Você nunca foi você.
Você sempre foi a metade.
Não é a você que o mundo quer
Porque você não pode existir
Como nunca existiu.

A dor. O sofrimento.
É difícil aceitar que sou como ela.
Não quero...
Meus olhos não são...
Rosa inglesa.

O rosto na neve.
Encolhida.
O frio. A solidão.
Abraçando-se. Fazendo de tudo
para ficar o mais junta possível de se mesma.
A menina se arrependera.

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Mensagem por Beatorisu em Sex Set 24 2010, 19:14

Aeeee!!!! \o/\o/\o/Parte 7 e fim do primeiro "livro" ~ :3

Spoiler:

O momento no qual dois se tornam um

Por favor, fique aqui
ao meu lado.
O amor e a dor são procurados pelo coração.
Por isso fique aqui,
pessoa importante.

O sorriso que a mão lhe oferecia
Ela sabia que era o fim.
Sabia que não havia como fugir.

Nee, porque?
Mostre-me seu lindo e triste sorriso.
Essa música é somente de nós duas.

Nee, eu te amo.
Que tipo de sonho você quer de presente?
Para você eu lhe dou o arco-iris.

O amor e o sofrimento estão sempre presentes nos corações.
Para esse você que é um sábio,
eu dou meu coração.

Os fios sobre o rosto.
As lágrimas congeladas pelo frio.
Levantando a cabeça
A menina fechou os olhos
E aceitou seu fim.

E como se uma luz pudesse vir do céu
Num passe do que se chamaria mágica
A menina sumiu.

A menina se uniu.
A menina sumiu.
A menina surgiu.

Quando duas metades originalmente perfeitas são postas juntas
É esperado que o perfeito se torne completo.
Mas quando uma das metades está desequilibrada
O que então ocorre ao balanço?

Ah, se ela não estivesse morta...
Se não estivesse manchada...
Se não quisesse ser adulta...

Mentindo.
E então o equilíbrio não existia.
O perfeito não existia.
No lugar dele...
algo assustador nascera.

Uma luz.
Um nada.
Tudo igual.
Tudo branco.

Retorno da Perfeição

Adeus.
Nesse inferno eu gritarei.
Obrigada.
Eu realmente odiava a todos.
Por mais que minha cabeça doa
Eu gritarei.

Por tempos não mais poderei ficar aqui.
Por séculos que serei banida de tudo.
Por vidas que não voltarei a viver.
Mas voltarei.
Em uma vida,
certamente.

Daquele inferno eu gritei.
Que inferno era aquele
que tinha a cor branca como algodão?
Não havia som
Não havia dor
Era branco
E branco terminava.
Que inferno era aquele do qual me libertei?

Eu respiro!
Eu vejo!
Eu sinto!
Estou viva.
Que benção poder caminhar novamente...
Mas quem?
Quem teve que morrer
para que eu pudesse me levantar?

Daquela vez na qual morri
Se é que aquilo que me ocorreu foi morte
Daquela vez eu vi
Eu lembro
ou penso que lembro de ter visto
Eu vi os olhares
Os lábios
As palavras.
Adeus
ele disse.

Adeus e até logo.
O logo chegou.
Estou de volta
mais uma vez
A perfeição renasce.



O último sorriso da outra metade

Se você sorrir
Então o mundo será mais sorridente
Não é porque algo caiu
Que todo o resto irá despencar

Não é porque uma lágrima rola
Que devo estar triste
Não é por estar errada
Que devo chorar

Não é porque coisas ruins existem
Que as boas não podem coexistir
Não é porque me sinto desse jeito
Que me sinto assim sempre

Toda a angustia e solidão
Toda a raiva e o descontrole
Tudo o que de ruim pode nos cercar
Com certeza nos cercará.

Não quero se a única a ver algo além de branco.
Não quero ser a única a acreditar em um dia melhor
Não serei a única a sorrir no final
Porque para sorrir no final é preciso sorrir no caminho

Não é a vergonha
que me impedirá de viver.
Não quero ajuda.
Por pior que eu possa estar
Não quero falar sobre isso.
Não quero ver ou discutir.
Sei que sinto.
Sei o que faço.
Sei o que fazer para melhorar...
Basta esquecer.

Então eu esqueço de tudo
Esqueço da dor
Esqueço do horário
Esqueço da responsabilidade
Esqueço da razão.

Se o que me custa um sorriso é a penalidade
Não me punirei.
Porque apenas eu mereço isso?
Porque apenas eu devo sumir?
Não vou sumir.
Não quero sumir.
Não quero uma nuvem negra sobre mim.

Não me importa se o mundo é ou não minha responsabilidade
Não me importa nem se em meu pequeno mundo eu importo
Não vou me colocar no centro
Não vou deixar que me coloquem lá.
Não serei um peso
E não suportarei nenhum.
Ser leve
Ser livre
Ser eu mesma.
Poder olhar para tudo e sorrir.
Poder lidar com a falha e sorrir.

Quem liga se eu erro
Se não somente eu mesma?
Minha vida não precisa ser resumida nos lugares onde vou
Ou nas pessoas que conheço.
Quero ir mais
Conhecer mais
Quero ser como antes
Sendo agora.

Não é aprender com os erros
Porque não errei.

Então que eu me veja sozinha
Que eu não tenha com quem falar
Ainda assim estará tudo bem
Porque eu sei que estará tudo bem.

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Mensagem por Beatorisu em Qua Dez 29 2010, 13:56

Mas oe! inicio livro 2 que achei perdido aqui ~ :3

Parte 1- Situações
Spoiler:


Existência

Eu acordei nesse mundo branco.
Eu não sabia ainda, e nem podia, que esse mundo era o fim.
Lembro de estar andando. Muito.
Lembro do cansaço, do frio.
Lembro de sentir algo molhado contra meu corpo
E o pano grudado a minha pele.
Lembro da neve tingida de vermelho
E enfim perceber que sangrava.
Lembro de não dar atenção aquilo
Afinal eram tantas outras coisas para me preocupar.
E eu nem sabia que coisas eram essas.
Cansada, fechei meus olhos sentada sob uma árvore.
Provavelmente estava escuro, pois não havia ali absolutamente nada.
E ainda assim, ao abrir os olhos novamente
A cidade estava diante de mim.
Chamar de cidade era elogio, uma vila.
E naqueles paralelepípedos brancos,
naquela neve branca e árvores brancas,
parado à minha frente estava ele.
Perguntou o meu nome com um sorriso
Um sorriso que eu conhecia, mas não sabia dizer o que era.
E eu disse Mary.
E ele parou de sorrir.
Estendendo a mão para mim disse-me para levantar.
E foi ai que me vi pela primeira vez refletida em suas lentes.
Foi aí que vi meus olhos refletidos nele.
E não eram meus.
Não eram meus olhos.
Eram vermelhos.
Eram rosas.
Eram vermelhas.
Eram inglesas.
E de acordo com ele, eram bonitas.
Meus olhos novos.
Minha nova vida.
Meu novo eu.

Com os olhos abertos em meio a vida
A visão embaçada, mas tentando enxergar
Procurando pedaços de mim mesma
Quem está me matando?
A última coisa que vejo são lágrimas
E então mais nada.
Minha face molhada.
Morrendo de medo até o fim.
E quem está me matando?

Vi olhos voltados para mim.
Vi pessoas desconfiadas.
Vi adultos.
Vi olhares conhecidos
Mas que não sabia reconhecer
Fui levada àquela loja por aquele homem.
Estendendo para mim um novo vestido ele sorriu.
Só o que fazia era sorrir.
E então me troquei.
Já havia feito aquilo tantas vezes...
E aí o medo veio.
Da última vez...
Eu morri.
Mas ele continuou sorrindo.
E seu sorriso era voltado para fora.
Uma janela.
Espiei por ela e só o que se podia ver era a vila ao longe.
E aí que realmente percebi que tudo era branco.
Tudo.
Exceto por uma janela.
Dela, vida parecia surgir.
Vida assim como meus olhos.

Com o tempo percebi que a vida olhava a vida.
E então a vida vermelha passou a olhar aquela que a via.
Eramos duas observando uma a outra.
E uma sabia que a outra a observava.
E ainda assim continuávamos a nos olhar.
Para quem mentimos?
A mentira.
A mentira faz de mim uma adulta, não é?
Então agora sou mais adulta do que nunca.

Sentindo peito cheio de emoção, algo que não conhecia.
Era medo?
Era satisfação?
Era felicidade?
A felicidade não é desse mundo,
ele me disse.
Então... O que é isso que sinto?
É prazer?
É orgulho?
É você mesma,
ele me disse.

Sinto-me assim.
E todos os dias para sempre fazendo a mesma coisa.
Subindo e descendo o branco.
Olhando a vida.
Conversando com a morte.
Olhando a vida novamente.
Sorrindo.

Por quanto tempo isso será?
Algum dia farei algo diferente?
Do que converso com ele?
De verdade, o que sei?
Me importa o que sei?
Estou aqui vivendo e
Tudo parece tão normal.

Os olhares de lado transformaram-se em olhares de frente.
Os olhares de desconfiança transformaram-se em sorrisos.
E assim eu virei perfeita.
E assim eu me descobri perfeita.



Uma história

Eu sempre pensei que a vida era aquilo.
Que nada mais podia ser considerado vida.
Que aquilo tudo era normal.
Universo. Carma. Destino.
Era apenas eu vivendo.
Eu pensava que todos os outros que eram diferentes.
E que deviam cuidar da própria vida ao invés de criticar a minha.
Até o dia em que apanhei.
Naquele dia percebi que aquilo não era normal,
tão pouco era vida.
Era eu sofrendo.
E aí você começa a pensar que qualquer coisa é motivo para morte.
O fato do passado existir fez de mim o que eu sou.
Um erro e eu sangrava.
A mesa era tão dura que minha testa abria cada vez que sua mão me empurrava contra ela.
Um erro e eu sangrava por dentro.
E o medo de que o erro fosse descoberto fez com que eu tentasse tirar o erro de mim.
Sangrar era normal. Eu nunca havia morrido.
Até o dia em que morri.
Inúmeras vezes tirei o erro de mim.
E ainda assim havia errado.
Sangrava mais.
Até que então parei de me livrar dos erros.
Porque ele os livraria para mim.
As marcas ficam.
E cada vez que eu olhava para elas meu peito doía.
Que fazer para não doer? Sangrar mais?
Tinha urgência em chorar.
Mas se chorasse isso seria outro erro.
E tudo começaria novamente.
Como ignorar todo o resto?
Como sorrir em paz?
Quando foi que perdi minha alegria?

E foi naquele dia que pensava isso que aconteceu.
Nesse dia ele chegou em casa e não me olhou.
Eu sorri.
Eu tentava desesperadamente consertar tudo aquilo.
Eu sorri.
E meu sorriso refletido pelos cantos foi a causa de meu fim.
Sem falar. Sem olhar para mim.
Minha cabeça contra a comoda.
Uma melodia quebrada.
Passos. Passos correndo.
Um som ao meu lado.

Quando abri os olhos nós caminhávamos.
Ele ainda não olhava para mim
Mas seu rosto estava sereno.
E percebendo a mim mesma
estava em paz.
Segurei em seu braço e caminhamos para sempre
Até sermos envolvidos pela branquidão.
O paraíso.

Tudo parecia tão bem.
E tão feliz.
Tudo pareceu normal...
Tão normal quanto antes parecia
Mas de um jeito tão diferente
que eu conseguia sorrir.
Até o dia...

Quantas vezes algo pode se repetir?
Uma mesma pessoa pode cometer o mesmo erro 2 vezes na mesma vida?
Era a mesma vida?
Em vidas diferentes?
É justo sofrer tudo aquilo novamente?
Sem aviso.
Sem justificativa.
Tudo ocorreu como antes.
Eu cai.
Melodia.
Ele sumiu.
E minha vida tornou-se um nada.



Visão

Foi uma surpresa
quando descobri que a morte não significava a morte.
Todos ali haviam chegado ali por causa da morte.
Todos diziam a mesma coisa.
Terra branca.
Tudo branco.
Caminharam.
Porque então minha história é diferente?
Eu lembro do branco.
Eu lembro do caminho.
Mas não lembro de chegar.
O caminho era branco...
E quanto mais eu caminhava
mas cinza ele se tornava.
Cinza.
Cinza.
Preto.
A escuridão era tanta
que fechar os olhos não fazia diferença.
Eu estava cansado.
Dormi.

Então senti a necessidade
a curiosidade de acordar.
Tudo era quente
confortável.
Abrir os olhos fazia diferença.
Foi então que a vi.
Em toda sua beleza
Ela levitava.
Cordas brancas que a seguravam.
Mas pareciam tão leves e delicadas que...
Ah! Como era linda!
E chegando perto eu estendi minha mão...
A alcancei...
A toquei.
Vi seus olhos abrirem...
E eram vermelhos como rosas.
E de repente me vi sendo puxado.
Tentava ao máximo manter as pontas de meus dedos coladas à sua bochecha.
Até que não consegui.
Vi seus olhos fecharem naquele instante.
Vi tudo se tornar branco.
Foi então que acordei aqui.

As pessoas daquele lugar me olhavam curiosas.
Tudo era branco.
Todos eram brancos.
E minhas roupas, azuis.
Todos olhavam para mim.
E então eu tentei falar
E tudo o que saiu de meus lábios foi o nome que dei àquela perfeição
Copélia.

Os olhares pareceram se alterar.
E percebia ajudas vindas de todos os lados.
Levaram-me ao único lugar vazio
E disseram-me que podia ficar ali.
Era no alto daquela vila branca.
No topo daquilo tudo.
Me tornei o topo.
Me sentia bem.
E ainda assim me sentia incompleto.

Por algum tempo meu único propósito era revê-la novamente.
E para isso comecei a ouvir tudo o quanto podia ouvir.
Comecei a receber.
Comecei a colecionar.
Comecei a juntar os pedaços e quando percebi
Havia me tornado o ponto de referência.

Passei anos atrás dela.
Os mesmo anos que passei tentando esquecê-la.
Meus sentimentos pareceram ter ido totalmente embora
Até que naquele inverno eu vi o tempo voltar.

Não creio que mais ninguém tenha percebido
Ou se perceberam, ninguém procurou comentar.
Vida estava presente... Vida.
Sim, porque, durante aqueles mesmos anos em vão
Eu descobri que aquilo não era vida.
Não podia ser.
Porque em nenhuma vida poderia haver tamanha perfeição como aquela
Copélia.

Chamei a vida de Outono.
E nos observávamos mutuamente.
Passei a sorrir internamente na mesma intensidade que sorria por fora.
Passei a querer conversar com a vida
Falar com a vida
Voltar à vida.

Tudo o que eu sabia...
Tudo o que eu sabia era que meu caminho havia sido diferente.
Até descobrir que eu não devia estar ali.
Por isso me olhavam.
Por isso eu estava no topo.
Por isso a vida viera a vila.
Eu não pertencia àquele lugar.
Pertencia junto a ela...
Copélia.

Estudei.
E com todo o conhecimento que adquiri eu lembrei...
Lembrei que o que eu havia cometido
era o suicídio.
Por isso não devia estar ali...
Aquele era o paraíso, afinal.
Um paraíso distorcido e branco, mas o era.
Eu pertencia junto a ela
Naquele mundo negro dos suicidas.
Era ela uma?
Porque estava amarrada e então
Perguntas e perguntas vieram a mim.

Contive-me.
Eu havia morrido.
Eu havia me matado.
E ainda assim um erro ocorrera em todo equilíbrio do universo.
Me fez questionar...
Até que ponto eu poderia controlar aquele equilíbrio.

Mais anos se passaram.
Mais anos de estudo.
Anos e anos brancos.
Até que aquela criança chegou.
Por dentro eu me enxia de felicidade
Enquanto olhava nos olhos dela
Tão iguais às mesmas rosas daqueles...

Mary.
Ela tinha um nome.
Ela era uma anomalia.
Tanto quanto eu.
Nunca em meu peito senti tanta certeza de que meu lugar era com ela...
Copélia.


Obsessão

Você aprecia sua vida?
Ninguém que não foi abandonado
Alguém que não foi esquecido
Dizer adeus é difícil
Especialmente se quem diz adeus
não é você.

O que eu fiz de errado?
Se alguém tem culpa, são vocês
São eles.
Eu nasci porque me fizeram assim.
Eu sou assim porque sou eu.
Se fosse você,
diria adeus a seu próprio eu?

Não há justificativa
Porque o que fizeram comigo foi pior
Não fui somente o outro eu
Fui a continuação
O fruto
A vida.
Ou deveria ter sido.

Se assusto tanto assim então deveria sumir
Vou sumir.
Me fizeram sumir.
Andar.
É engraçado como depois de um tempo isso se torna natural
E você simplesmente chega.

Um gênio.
Um obcecado.
Durante muito tempo o sentido de minha morte
Era procurar algo que não pude ter em vida
Até o dia em que ela chegou.

Não é possível que exista do mundo tamanha perfeição.
E realmente não existe
Porque não estamos no mundo
Estamos em um lugar muito maior
Diferente.
Branco.

Você sabe o que é a vida depois que a perde
E quando a vê novamente
Todos os sentimentos vazios
parecem querer sair
Querem sair
E saem
Em forma de música.


Ah, por quanto tempo estive em busca da melodia perfeita?
Por quantas existências passei?
Quantas perfeições eu vi?
As vi?

Ah, meu amor sai em forma de uma triste canção sem letra
Porque você é a letra.
Você é o ritmo.
Você é o que me faz existir.
Por você eu sou assim.
Por você eu morri.
É por você que existo.

Então porque não olha para mim?
Porque não me percebe?
Porque está sempre feliz?
Como pode estar feliz?
Porque só tem olhos para ele?
Porque só tem olhos para ela?
Porque ELA?

Porque ninguém mais se revolta?
Minha perfeição
É a perfeição dos outros.
Aqueles olhos não são dela.
São meus.
E se todos pensam assim
Porque sou o único sentindo isso...?
Ódio.

Então fico nas sombras.
Me escondo.
Olho.
Todo dia
Mesmo horário
Mesma rotina.
Enquanto você desce a colina
Eu corro para casa
Para tocar o seu tema.

Você não ouve
Não repara que existe alguém muito melhor para você
do que ele.
Do que ela.

E todo dia eu toco
Na esperança de que minha perfeição
Alcance a sua
Tão mais perfeita que a minha
Que explica o porque de meus suspiros
Não alcançarem seu coração.



Observação

O mundo possui um equilíbrio
Um equilíbrio que jamais deveria ser destruído.

Há tanto tempo
Muitos antes de mim foram encarregados do que sou agora.
Há muito tempo
O que está para acontecer
Aconteceu.

A divisão entre os mundos é tênue
Tão imperceptível
Que aqueles que morrem
Ainda acreditam estar vivos
Até perceberem que estão mortos.

Espalhadas pelo vivo
Estão milhares de muntos mortos
Cada um desses mundos particular em si
Mas muito igual a todos os outros.

Um mundo branco.
Aqueles que possuem vida como eu não deveriam estar aqui.
Eu não deveria estar aqui.
Ainda assim estou
E ela está.
Nade de bom sairá dai.
Ele está.
Esse foi o inicio do fim.

Mortes possuem destinos.
Mortes como a dele deveriam estar condenadas
A um lugar sem cor.
O que o trouxe para cá
Foi ela.
Aquela que há muito perturbou o equilíbrio.
Onde no mundo ela arranjou forças para tal?

Ele está aqui
Porque sua morte não deveria estar lá.
Ser coagido ao suicídio é se matar?

Ao menor sinal de sua atividade vim para cá
Mandaram-me para cá.
Ainda assim não posso sair.
Estou condenada a observar
E observando percebi muitas coisas.

Ela está para acordar.
Ele a acordará.
Ele será o meio,
Mas o meio....
A metade.
Como precaução ela foi dividida
Seu espírito foi divido em 2.
Me pergunto porque não em mais?
Não teríamos esse problema e... ah.

Tudo o que eu devia fazer era observar.
Ser uma chama de vida nesse lugar morto.

Ela apareceu com os olhos de vida
assim como os meus.
Seus olhos tinham vida
Porque estavam vivos.
Alguém em algum lugar vivia.
A outra metade.

Eu deveria observar.
Mas com o tempo os olhos dele nos meus
Meus olhos nos dela
Tudo aquilo parecia se comunicar
E dizer
Me chamar
Faça.

Não podia sair.
Ao meu alcance estava o que fiz
Vá atrás da outra metade.
Ache-a. Traga-a. Mate-a.

Um soldado sem alma.
Uma menina com uma segunda chance.
Alguém que por muito pouco não entrou
Alguém que pode voltar.
Viver de novo.

Parecia como se todos soubessem o que ia acontecer.
Como se todos esperassem ansiosamente
Por algo que apenas eu sabia que aconteceria.
Eles sabiam.
Ela podia sentir.

Naquele dia de retorno
Nunca houve tanta expectativa no ar.
Retornara ela, agora morta.
Com uma outra morta.
E a outra metade.

Uma questão de tempo e aceitação.
Estarei fazendo o certo?
Eles realmente acham que isso é o certo?
Apenas um instrumento no meio dos condenados.
O que nos aguarda com a volta de Copélia?

Parte 2 - Renascimento
Spoiler:


Se você tivesse várias existências
Viveria como se não houvesse amanhã?
Se soubesse que nada tem um fim
Daria um fim as coisas?

Quando viver se tornou perigoso?
Quando a morte passou a ser tão atraente?
Seria a morte a real vida
E nossa vida apenas uma ilusão?

Várias existências.
Diversas chances.
Inúmeras tentativas.

Não deu certo?
Mais uma vez.
Ainda não.
De novo.

Em um ciclo infinito que se esgota quando chega o fim.
Uma melodia de teclas desafinadas
Isso é a vida.
O pianista não para porque errou
Nem deixa de tocar
Se o dó soa como mi.

Eu vivi várias vezes.
E em todas elas fiz a mesma coisa.
Sem saber disso.
Todas as vezes eu insisti
Procurando que houvesse algo de bom naquilo.

É errado sonhar?
É errado buscar o que se deseja?
É errado desejar?

Aqueles que me julgam e condenam
Aqueles que me prendem e assassinam
Apenas me sacrificam em prol de seus próprios desejos
Então porque não posso eu também sacrificá-los?

Existe diferença entre as pessoas?
Destruição e preservação.
Apenas por essa diferença eu morro.
Inúmeras vezes eu morro.

Enquanto estou viva a memória me falha
Apenas a voltar para a escuridão
É que percebo e revivo o mesmo ciclo
Presa.
Incapaz de fazer diferente.

Mais uma vida.
Mais um fracasso.
O que fazer para...
Ah.

Se em vida a sorte não esteve a meu lado
Então a morte será meu instrumento.

Perigo? Eu?
Como a perfeição pode ser perigosa?
Eu rio.
Da minha ultima existência como eu
O que me lembro
É da sensação de divisão.

Estou morta.
Estou presa.
Ainda assim as vejo.
Meus olhos estão fechados.
Não adianta abri-los.
Não posso abri-los.
Mas as vejo.
As sinto.
Minhas metades.
Minhas vidas.
2 vidas.
Meu espírito
dividido em dois.
Em três.
Porque afinal, ainda estou aqui.

Me pergunto que corpo será o meu novo?
Com o que me parecerei?
Comigo mesma?
Conseguirei reconhecer-me?

Ah. Venha.
Aproxime-se.
Faça.
Faça!
Sim.
O pecado é a salvação...
para mim.
Sim.
A lamina contra a pele.
Ele aqui.

Posso vê-lo.
Não posso abrir os olhos.
Não devo.
Mas posso senti-lo a meu lado.
Me observando.



........



Luz.
Calor.
Uma sensação como nunca haviam sentido naquela vila.

Haveria chegado o final?
Haveria finalmente aquela pobre vila alcançado o fim?

Seus moradores curiosos saiam aos poucos
Peles pálidas olhando o que acontecia
Olhos fundos cegados pela luz

Aqueles que haviam se esquecido, lembraram.
Aqueles que sempre souberam, derramaram lágrimas.
Toda a vida passava diante de seus olhos.
Toda a morte.
Toda a dor.

Não!
Socorro!
Não!
Água. Fogo. Vento. Terra.
Sacrifícios. Hereges.
Adúlteras.
Bruxas.
Torturas.
Gritos.

Todos os sentimentos que podiam ser sentidos
Estavam presentes.
O que significava cor naquele lugar?

AH!
Um grito de dor.
Alguém que não estava na luz gritava
Ao mesmo tempo em que era coberto por escuridão.

Mary.
Mary.
Mary.

Para onde olhar?
O que ver?

Nell.
...
Mary.


Copélia.



........



Silêncio.
Todos congelados pelo medo.
Por mais corajosos
ou medrosos
Não podiam enfrentar
Nem fugir.

Dois corpos.
Dois corpos como espelhos.
Dois corpos iguais caídos na neve.
Tão similares e distantes.
Tão...

Um corpo.
Um corpo vivo.
Cor.
Havia vida além do outono.

O vento do inverno soprava
Como se expulsasse qualquer rastro de outra estacão
Ela estava fora.

Não devia sair.
Não podia sair.
Iria morrer.
Sabia disso.

Mas havia algo que valia a pena.
Ele valia a pena.

Seus passos lentos apressando-se conforme avançava
Uma corrida que pareceu durar a eternidade
Caída de joelhos a seu lado
Lagrimas da vida sobre o pecado da morte.

Ele.
Não.
Ele estava ali ainda.

Sobre o que ela chorava...
Sobre o nada.
Podia sentir suas forças indo embora.
Podia sentir
Podia ver as cores
Que deixavam de ser cores
E se tornavam nada
Além de branco.

O último ato do outono
Antes de se render ao inverno
Foi o de abençoar o soldado
Com a vida que ela estava prestes a perder.



........



Vá.
Tudo que chega a meus ouvidos
é um ruido.
Ordens.
Não me recordo do que aconteceu com meu corpo.
Não me importo.

Ela me deu outra chance.
Devo minha vida a ela.
Havia me dito
“Vá atrás da outra metade. Entrará então.”
Na época pareceu tão tentador e vantajoso
Não precisei perguntar
Eu sabia o que era a outra metade.
Conhecimento estava em mim..

Entrar.
A primeira vez que estive ali haviam proibido minha entrada.
Que eu esperasse.
Que ela viria.
Não questionei portanto.
Entraria
E poderia morrer em paz.

E quando finalmente morri...
Se arrependimento matasse...
A ironia.
Desejei estar viva.
Sempre desejei estar viva.
Curiosidade me fez fazer
Aquilo que não sabia o que era.

E então quando finalmente morri
Ganhei novamente a vida.
Faria tudo por ela.
Não havia vontade em mim.
Estava viva.
Podia ver a cor em mim.

Correndo como...
Correndo como sabia
Do jeito mais rápido que podia
Para longe daquela branquidão.



........



Ela estava viva.
Ela estava morta.
Ela estava morta.

A felicidade estava em mim como nunca estivera.
O momento pelo qual esperei toda minha morte
Se apresentava diante de mim.

A perfeição estava viva
E eu finalmente conhecia o rosto do outono.
O gosto do outono...
Como seria?

Por mais feliz que estivesse...
Dúvida.
Tudo o que eu esperava estava ali
E não sabia como agir.

O outono rendido ao inverno.
Um sorriso em meu rosto.
A perfeição renascida.
Movi meus pés em sua direção.

Suspensa no ar
Do mesmo modo como estava na escuridão.
Aproximei minha mãe de seu rosto
E toquei-o curioso
Culpado.

Vi seus olhos pela primeira vez.
E eram como os imaginava.
Não estava errado.
Eram como os de Mary.

Reconheci.
E fui reconhecido quando ela retribuiu o toque.

Suspensa no ar.
Minha mão em seu rosto.
E seus braços a minha volta.
Meus braços a sua volta.
Lábios em dois sorrisos.

Ela desapareceu.
E eu cai.



........



Ela estava morta.
Mas já estava morta.
Estávamos todos mortos.
O que... Acontecera a ela?

Tanto havia acontecido em tão pouco tempo
que as reações demoravam séculos para acontecerem
Ainda que fossem simultâneas.

Me lancei em sua direção.
Pequena.
Delicada.
Sem vida
E sem morte.
Onde estava... Minha Mary?


........


O que senti.
Foi como se estivesse viva
Como se algo dentro de mim acordasse
E desejasse sair.

Certamente o entendimento da situação era nulo para todos
Ou quase todos.
A mulher agora sem cor chorava sobre o dono da loja
O anjo que há pouco aparecera
já havia sumido
levando com ele
o sentimento que não queria ter perdido.

Parte 3 - Busca
Spoiler:


A perfeição não podia existir.
Não era certo.
E ainda assim havia sido criada.
Inúmeras vezes me perguntei com que propósito.
Porque criar algo assim?
Não estamos todos aqui para aprender?
Ou sou apenas eu?

Num mundo no qual me sentia sozinha
Ganhei em seu fim uma razão para existir

Busca Número 1 – Uma dama de rosa

Você a reconhece pelo vento
Pelo aroma
Uma rosa no meio de tantas
Não é mais especial do que suas folhas.

Presa em um mundo que eu não conhecia
Tudo o que eu podia fazer ela olhar
Respirar
E pedir para que alguém um dia viesse até mim.

Com qual propósito eu nasci?
Porque estou viva?
Porque o modo como vivo parece tão diferente do das outras pessoas?

Reconhecer a si mesma não é fantástico
É natural.
E ainda assim sorri como nunca
Ao ver meu reflexo pela primeira vez.

Em um mundo sem espelhos e sem janelas.
Foi nos olhos de alguém
Que descobri a felicidade.

Não me importa a sociedade
Porque não a conheço.
Não me importam preceitos
Porque não os sigo.

Apenas a sigo.
Devo algo a ela e sei
Que o momento de pagar se aproxima.
Ainda assim tudo o que faço é aproveitar esses momentos
que sei que serão os últimos.

Uma rosa num jardim.
Uma dama em um quarto.
Tudo o que havia para ser conhecido se resumia àquele pequeno espaço.
Tudo o que havia para se saber já o havia sido.

Sem ressentimentos.
Sem vontades.
Tudo o que pode ser feito é acreditar do silêncio.
Acreditar que essa pessoa que chegou como um anjo
Realmente o é.

Eu faço o que é pedido.
E fecho meus olhos uma última vez.
Caída sobre a cama como uma rosa em seu canteiro
O barulho de algo atingindo o chão
Nem mesmo isso pode me acordar.

Ouço rolarem os que não foram aproveitados.
Sinto meu corpo de molhar com a água que não foi ingerida.
Sinto minha vida esvair-se como algo que não sabia o que era...
Até morrer.






Quantas vidas já se perderam por minha causa?
Pelo bem de outra pessoa
Por minhas mãos.
Quantas delas realmente precisavam ter sido tiradas?
Quantas não poderia ter ignorado?

O que são mais 4 vidas
Quando mais de 100 já foram tiradas?
Estar morta muda o fato de ser uma assassina?
Tirando o fato... de estar viva?

Busca número 2 – A inconstância do vento

Sentir é um benefício dado a todos.
Por que alguns de nós apenas sentem o que eu sinto?
Se sentem?
Porque alguns como eu desejam tanto o que desejo?
Se desejam?

Porque não fomos feitos para esse mundo.
Para essa vida.
No lugar errado.
Na hora errada.
Tudo o que acontece.
Acompanhado do mesmo adjetivo.

Eu grito.
Eu corro e fujo.
Eu choro.
E digo isso.
Odeio essa vida.
Odeio essas pessoas.
Mas o que mais odeio
Não é nem a mim mesma...
E sim a inexistência de um motivo para viver.
E devo culpar então a mim mesma por sua ausência?

Contraditória.
Sim, o sou.
Por mais ressentimento que tenha em relação a tudo.
Ainda acredito no sol.
Ainda acredito do que me cerca.
E princialmente no vento.

Fugas por uma cidade construída em concreto
Sobre o coração das pessoas.
Uma corrida desviando de obstáculos vivos.
Olhos cegos por neons.
Respiração cansada.

O vento mais uma vez me dá as boas vindas.
Todo dia.
Com um sorriso eu recebo o presente
E paro por horas
Sem fazer nada
Apenas lutando internamente
Sem fazer nada
Paralisada no mesmo lugar.

Meus olhos cegos agora por lágrimas
Combinam com meu sorriso
Até onde o conheço
sincero.

E então minha vida segue
Aquilo que chamo de vida continua seu curso
Até que pare.
E para.

Outra corrida.
Os mesmos obstáculos.
As mesmas sensações.
Um final diferente.

Ao invés de escolher o que está lá embaixo
Escolho ouvir o que está a minha frente.
E com um sorriso tão sincero quanto o dos outros dias
Abraço o vento
Em uma lágrima final.




Convencer as pessoas deveria ser proibido.
E isso sou apenas eu mesma tentando me convencer
De que a decisão foi delas.
E apesar de ter sido
Talvez não tivesse sido tomada caso não tivesse aparecido

Mas o que são vidas
Se comparadas ao mundo?

Busca número 3 – Relutância de alguém sem decisão

Tudo o que existe para ser visto
Ainda é pouco para tudo o que quero ver
Toda minha consciência já há muito tempo abandonada
Continua contando mentiras para que eu acredite estar viva.

É curioso como os opostos se atraem.
O que não possuímos nos atrai
E desse modo negamos todo o resto
que não possui o que temos.

O que minha mente cansada pensa
Não se estende tanto quanto gostaria
Por estar cansada
se fragiliza diante de tudo o que acontece.

Se eu pudesse viver
Seriam diferentes?
As pessoas seriam diferentes?
Como seriam as coisas?

Se eu pudesse fazer tudo o que posso pensar...
Se eu apenas pudesse me mover!

Ah. A vejo.
Esta ali o anjo que veio me buscar.
Está aqui.
Não...
Não a ouçam.
Posso vê-los sendo influenciados
Posso ver como ela age
Como ela olha.
Como se já estivesse morta...

Não estou!
Não estou!
Não a ouçam!

Se meu corpo pudesse gritar como grita minha mente cansada
Ah... Se gritasse...
Então jamais teria precisado gritar.




Aceitação não é absoluta.
Não se pode esperar que almas concordem com sua morte.
Não posso esperar que entendam.
Apenas preciso que façam.

Reunir não é difícil...
O problema se encontra em conservar.

Busca número 4 – A flor na gaiola

Vidas foram feitas para desaparecerem.
Que diferença faz quem as tira?
Num jogo de sobrevivência entre os homens
Sou eu culpada por ter ganhado?

Como um pequeno animal aprisionado
Condenada ao mesmo destino das vidas que tirei
Ou pior.
Ainda assim sorrio diante o futuro.

Mente doentia.
Pessoa perturbada.
Assassina.
Nada além de elogios que me engrandecem.

Meu único erro foi esse.
O orgulho acaba com qualquer mulher.
E minhas esperanças acabam com qualquer luz.

Se eu pudesse ter uma última dança
Esperaria eternamente por aquele que nunca apareceu
Esse foi meu único erro.
Esperar alguém ferido por meu orgulho.

Dentro de uma jaula espero meu fim.
A bela flor espera o momento de decair e …
Ah, uma última chance para rir.

Como se pudesse ferir-se com seus próprios espinhos
A flor atua em seu último palco
Cercada por ferro
Com os pés fora do chão.

Parte 4 - Fim.
Spoiler:

O que se pode fazer quando o limite foi alcançado?
Vale a pena reviver?
Vale a pena relembrar?

Diga adeus a última parada
Porque tudo o que envenena esse mundo
Está prestes a ser caçado.

Sentimento número 1 - Ignorância

O pior sentimento do mundo é o de ser ignorada.
É como se as pessoas estivessem gritando em silêncio que
você e nada são a mesma coisa.
Vindos do mesmo lugar.
Para sempre esquecidos e para sempre lembrados
Nada além de uma sensação
Eu não passo de um fantasma que jamais existiu

Qual é a importância de uma existência que não serve para nada?
Para que nascemos e pelo que vivemos?
Perguntas já feitas que voltam e retornam
Sempre
Pois sempre farão parte dessa vida
Que vida?

A pior parte da ignorância
Não é conhecida.
É impossível saber sobre algo que não se sabe.
As coisas que digo só machucam a mim mesma.
E assim eu sigo em dor.
Sigo fazendo esse papel que me foi dado
por aqueles que hoje me ignoram.

Nee, eu nunca passei disso?
Nunca fui mesmo nada além desse sopro?
O que me resta agora?
Nada muito diferente de antes
Mas aprisionada
Isso dói.
Ignorada
Dói.
Mas dessa vez
Dessa vez que quero chorar
Dessa única vez em que quero ser verdadeira comigo e com o mundo
Só dessa vez
E para sempre
Ninguém ouvirá ou saberá
Como nunca souberam antes.




Sentimento número 2 – Frustração

Em que parte do plano houve falha?
Quando exatamente tudo começou a dar errado?
Ainda agora não tenho certeza
E não sei se algum dia terei.
Tudo simplesmente ruiu.
Aquilo que era tão perfeita
Aquele objeto tão feito de outro mundo
Quebrou.

Me vi caçada.
Me vi odiada.
Me vi mais uma vez onde sempre estive.
E dentro de mim uma sensação.
Pois nunca fui eu mesma.
Por mais que houvessem pedaços de mim
Que fossem somente pedaços de mim
Ainda eram pedaços próprios
E agora esses pedaços sentem
E eu sinto.
E todo o sentimento existe.

Frustração.
Aquilo ao qual estou destinada.
Para que fui criada se meu fim é sempre este?
Gostaria de saber
de encontrar
aquele que me fez desse jeito.
Para que criar a perfeição se ela não pode existir?
Perfeição fadada à Frustração.
Coppelia a boneca para sempre boneca
Com a diferença de que talvez a boneca possa sentir
E como dói sentir.

As partes adormecidas despertam e eu sinto meu peito doer.
Enquanto ainda sinto o vendo em minha face faço de tudo para sobreviver.
Ainda vou sobreviver.
Ainda voltarei
E sei que sempre existirá alguém que procura por mim
Alguém disposto à me reviver mais uma vez.
Reviver.
Se é que algum dia estive viva.

Tudo que era tão pequeno toma proporções enormes
E pela primeira vez sinto água em meu rosto
Lágrimas, dizem.
Sentimentos que não são meus.
Mas ainda assim sentimentos.
Tudo o que possuo é frustração
e ódio.
E uma frustração tão imensa que sinto o fim chegar.


Sentimento número 3 – Maldade

Ser perfeita e não o ser.
Ouvir e achar
Saber.
E descobrir que não passa de parte dessa perfeição.
Apenas uma metade disso
E que por ser apenas uma metade
Não se aproxima do que acreditava ser.

Não me interessa mais
pois somente o ódio passa a existir aos poucos.
Enquanto percebo o fim chegar
Me encho de vontade
Um grito preso.
AHHHHHHHH!!
Um som abafado pela queda.
Ela cai.
E nós caímos.
A neve abaixo de nós parece tão macia...

Por que a morte parece tão atraente?
Mas já não estamos desse lado?
É possível morrer duas vezes?
E então o que acontece?
Nascemos?
Me parece uma troca justa.
Sua vida pela minha.
Minha morta pelo seu fim.

Uma raiva controlada.
Querendo fechar os pulsos sem perceber que esse corpo não era meu
Onde?
Onde estou?
Já não me importa o objetivo
Já não me importa o sacrifício
Tampouco me importo com os outros
No fim, tudo.
No fim por mais que não passe de uma parte
Ainda assim a parte sente
E ainda assim os sentimentos das partes
Por mais diferentes que sejam
São os mesmo.
Ser ignorada.
Estar frustrada.
Odiar.
Pura maldade.
Puro egoísmo.
Pura arrogância que corre em nossas veias mortas.
Podemos ser diferentes
Mas no fim somos todas iguais
3 crianças perfeitas e quebradas.



Sentimento número 0 – Vazio

A história que acontece do meio para o fim não vale a pena ser contada
Versões diferentes são ouvidas.
Versões.
O que é certo é a morte do outono.
A confusão do dono.
E de todo o resto.

4 anjos que se erguem.
Seguindo o quinto mensageiro ou o primeiro
Aqueles que se levantam contra a perfeição.
Nem vivos
Tampouco mortos.
Mesmo não sendo a hora cruzaram a linha por um motivo qualquer
e agora não lhes restara nada além de caçar.
Duas partes inteiras que se perdem.
Coletas e Consciências
Coleta número 1 – a percepção da maldade.
Coleta número 2 – os anjos sem asas.
Coleta número 3 – a descoberta da perfeição.
Coleta número 4 – abate.

Quatro estágios de uma caçada sem fim
Cujo fim acabara por chegar.
Não estava escrito
Não estava destinado
Apenas terminara.
E nos rostos daqueles descrentes não havia nada.

Coppelia despedaçada na neve.
Uma chuva de lágrimas.
Os corpos das meninas que não voltariam à morte.
Não há como saber se o ciclo recomeçara
Pois aqueles que eram apenas espectadores
Não passam daquilo que eram.

Sem notícias.
Sem mais acontecimentos.
A morte voltou a ser a mesma.
Voltou a ser lenta.
Voltou a ser branca.

O vermelho da rosa inglesa agora era pedra.
E em um jardim de rosas de pedra estava ela
Pois ela não morreria
Enquanto houvesse alguém que a procurasse e acreditasse nela
Ela reviveria
E mais uma vez morreria por não poder existir.
Coppelia num jardim de pedra.
Coppelia.



Canção de Despedida

Eu invejosa.
Eu arrogante.
Eu como sou.
Durante muito tempo pensei que eu era aquela que fingia ser.
Hoje me dou conta de que quem eu fingia ser é quem eu quero me tornar.
Pois não gosto de quem eu sou.
E se passar a ser a verdadeira eu que acredito ser
Ninguém irá gostar.

Por mais que minha razão diga para continuar ignorando tudo que ocorre à minha volta,
ela também diz que chega.
Então eu me despeço.
Adeus aos sentimentos de dor
Adeus aos complexos
Adeus à arrogância e à falsa importância.
Ninguém liga.
Ninguém lerá.

A história que foi escrita se revelou mais do que um relato sobre uma imaginação fértil.
A história de vidas
Tão insignificantes vidas
Que a história poderia ter sido escrita sem elas.
Números.
Livros.
Contos.
Razão?

Aquela que aquilo escreve é quem mantém a boneca viva
Pois enquanto houver alguém que acredite nela
Ela jamais morrerá.

Aquela que narra é também aquela que sofre.
Em busca eterna de Coppelia.
Em uma busca eterna.

Perfeição é um jardim de rosas
Um vermelho petrificado.
Se é ali que ela jaz
então somente através da morte poderei encontrá-la?

Se é assim...
Não é mais fácil... ?

A mão trêmula que derruba o lápis
A linha que perde a forma devido à chuva.
A face molhada e o vento.
Onde está
Coppelia?

edit para ultima parte pra ficar tudo em um post só e é ~


Última edição por Beatorisu em Dom Ago 07 2011, 00:35, editado 2 vez(es)

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Mensagem por Yukito em Qua Jan 05 2011, 11:52

Ainda não terminei de ler porque... É MUITA COISA! Mas você sabe o quando eu acho seu trabalho AWESOME, né? MUITO MUITO MUITO DEMAIS, BEA!

Sério, te invejo~
Um dia ficarei tão bom em versos quando você :3
Ainda não conclui muita coisa da história, vou terminar tudo e tentar fazer uma teoria (?)

Mas adorei as vitrines <3

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Mensagem por Maknae em Qua Jan 05 2011, 12:42

Idem ao Yuki-pon

Não terminei de ler também mas tô amando <3 É muito mistério e e e e... Prende a gente pra ler cada vez mais ;o;
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Mensagem por Suy em Dom Jan 09 2011, 19:59

Também não terminei de ler, mas ficou muito bom Bea <3
Continue a postar, porque quando eu terminar é provável que eu queira ler mais u__u
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Mensagem por Beatorisu em Seg Fev 07 2011, 23:40

up! \o/
Parte 3 do livro 2 está ai já... Pelas minhas contas*khmkhmq* serão mais 4 partes e acaba o livro 2 e M.A ~

aproveitem o final da história...
~ufuu :3

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Mensagem por Yamai em Qua Fev 09 2011, 20:31

Woow, ainda não terminei de ler, mas nossa, está muito bom *-* fazia tempo que não lia um texto tão bem escrito ;-; <3
Sério, queria escrever como voce Mystique Antique 464750
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Mensagem por Yukito em Dom Jul 24 2011, 10:47

Me pergunto se há uma história aqui... Mystique Antique 46127

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Mensagem por Beatorisu em Dom Ago 07 2011, 00:33

Parte 4 - Fim.
Spoiler:

O que se pode fazer quando o limite foi alcançado?
Vale a pena reviver?
Vale a pena relembrar?

Diga adeus a última parada
Porque tudo o que envenena esse mundo
Está prestes a ser caçado.

Sentimento número 1 - Ignorância

O pior sentimento do mundo é o de ser ignorada.
É como se as pessoas estivessem gritando em silêncio que
você e nada são a mesma coisa.
Vindos do mesmo lugar.
Para sempre esquecidos e para sempre lembrados
Nada além de uma sensação
Eu não passo de um fantasma que jamais existiu

Qual é a importância de uma existência que não serve para nada?
Para que nascemos e pelo que vivemos?
Perguntas já feitas que voltam e retornam
Sempre
Pois sempre farão parte dessa vida
Que vida?

A pior parte da ignorância
Não é conhecida.
É impossível saber sobre algo que não se sabe.
As coisas que digo só machucam a mim mesma.
E assim eu sigo em dor.
Sigo fazendo esse papel que me foi dado
por aqueles que hoje me ignoram.

Nee, eu nunca passei disso?
Nunca fui mesmo nada além desse sopro?
O que me resta agora?
Nada muito diferente de antes
Mas aprisionada
Isso dói.
Ignorada
Dói.
Mas dessa vez
Dessa vez que quero chorar
Dessa única vez em que quero ser verdadeira comigo e com o mundo
Só dessa vez
E para sempre
Ninguém ouvirá ou saberá
Como nunca souberam antes.




Sentimento número 2 – Frustração

Em que parte do plano houve falha?
Quando exatamente tudo começou a dar errado?
Ainda agora não tenho certeza
E não sei se algum dia terei.
Tudo simplesmente ruiu.
Aquilo que era tão perfeita
Aquele objeto tão feito de outro mundo
Quebrou.

Me vi caçada.
Me vi odiada.
Me vi mais uma vez onde sempre estive.
E dentro de mim uma sensação.
Pois nunca fui eu mesma.
Por mais que houvessem pedaços de mim
Que fossem somente pedaços de mim
Ainda eram pedaços próprios
E agora esses pedaços sentem
E eu sinto.
E todo o sentimento existe.

Frustração.
Aquilo ao qual estou destinada.
Para que fui criada se meu fim é sempre este?
Gostaria de saber
de encontrar
aquele que me fez desse jeito.
Para que criar a perfeição se ela não pode existir?
Perfeição fadada à Frustração.
Coppelia a boneca para sempre boneca
Com a diferença de que talvez a boneca possa sentir
E como dói sentir.

As partes adormecidas despertam e eu sinto meu peito doer.
Enquanto ainda sinto o vendo em minha face faço de tudo para sobreviver.
Ainda vou sobreviver.
Ainda voltarei
E sei que sempre existirá alguém que procura por mim
Alguém disposto à me reviver mais uma vez.
Reviver.
Se é que algum dia estive viva.

Tudo que era tão pequeno toma proporções enormes
E pela primeira vez sinto água em meu rosto
Lágrimas, dizem.
Sentimentos que não são meus.
Mas ainda assim sentimentos.
Tudo o que possuo é frustração
e ódio.
E uma frustração tão imensa que sinto o fim chegar.


Sentimento número 3 – Maldade

Ser perfeita e não o ser.
Ouvir e achar
Saber.
E descobrir que não passa de parte dessa perfeição.
Apenas uma metade disso
E que por ser apenas uma metade
Não se aproxima do que acreditava ser.

Não me interessa mais
pois somente o ódio passa a existir aos poucos.
Enquanto percebo o fim chegar
Me encho de vontade
Um grito preso.
AHHHHHHHH!!
Um som abafado pela queda.
Ela cai.
E nós caímos.
A neve abaixo de nós parece tão macia...

Por que a morte parece tão atraente?
Mas já não estamos desse lado?
É possível morrer duas vezes?
E então o que acontece?
Nascemos?
Me parece uma troca justa.
Sua vida pela minha.
Minha morta pelo seu fim.

Uma raiva controlada.
Querendo fechar os pulsos sem perceber que esse corpo não era meu
Onde?
Onde estou?
Já não me importa o objetivo
Já não me importa o sacrifício
Tampouco me importo com os outros
No fim, tudo.
No fim por mais que não passe de uma parte
Ainda assim a parte sente
E ainda assim os sentimentos das partes
Por mais diferentes que sejam
São os mesmo.
Ser ignorada.
Estar frustrada.
Odiar.
Pura maldade.
Puro egoísmo.
Pura arrogância que corre em nossas veias mortas.
Podemos ser diferentes
Mas no fim somos todas iguais
3 crianças perfeitas e quebradas.



Sentimento número 0 – Vazio

A história que acontece do meio para o fim não vale a pena ser contada
Versões diferentes são ouvidas.
Versões.
O que é certo é a morte do outono.
A confusão do dono.
E de todo o resto.

4 anjos que se erguem.
Seguindo o quinto mensageiro ou o primeiro
Aqueles que se levantam contra a perfeição.
Nem vivos
Tampouco mortos.
Mesmo não sendo a hora cruzaram a linha por um motivo qualquer
e agora não lhes restara nada além de caçar.
Duas partes inteiras que se perdem.
Coletas e Consciências
Coleta número 1 – a percepção da maldade.
Coleta número 2 – os anjos sem asas.
Coleta número 3 – a descoberta da perfeição.
Coleta número 4 – abate.

Quatro estágios de uma caçada sem fim
Cujo fim acabara por chegar.
Não estava escrito
Não estava destinado
Apenas terminara.
E nos rostos daqueles descrentes não havia nada.

Coppelia despedaçada na neve.
Uma chuva de lágrimas.
Os corpos das meninas que não voltariam à morte.
Não há como saber se o ciclo recomeçara
Pois aqueles que eram apenas espectadores
Não passam daquilo que eram.

Sem notícias.
Sem mais acontecimentos.
A morte voltou a ser a mesma.
Voltou a ser lenta.
Voltou a ser branca.

O vermelho da rosa inglesa agora era pedra.
E em um jardim de rosas de pedra estava ela
Pois ela não morreria
Enquanto houvesse alguém que a procurasse e acreditasse nela
Ela reviveria
E mais uma vez morreria por não poder existir.
Coppelia num jardim de pedra.
Coppelia.



Canção de Despedida

Eu invejosa.
Eu arrogante.
Eu como sou.
Durante muito tempo pensei que eu era aquela que fingia ser.
Hoje me dou conta de que quem eu fingia ser é quem eu quero me tornar.
Pois não gosto de quem eu sou.
E se passar a ser a verdadeira eu que acredito ser
Ninguém irá gostar.

Por mais que minha razão diga para continuar ignorando tudo que ocorre à minha volta,
ela também diz que chega.
Então eu me despeço.
Adeus aos sentimentos de dor
Adeus aos complexos
Adeus à arrogância e à falsa importância.
Ninguém liga.
Ninguém lerá.

A história que foi escrita se revelou mais do que um relato sobre uma imaginação fértil.
A história de vidas
Tão insignificantes vidas
Que a história poderia ter sido escrita sem elas.
Números.
Livros.
Contos.
Razão?

Aquela que aquilo escreve é quem mantém a boneca viva
Pois enquanto houver alguém que acredite nela
Ela jamais morrerá.

Aquela que narra é também aquela que sofre.
Em busca eterna de Coppelia.
Em uma busca eterna.

Perfeição é um jardim de rosas
Um vermelho petrificado.
Se é ali que ela jaz
então somente através da morte poderei encontrá-la?

Se é assim...
Não é mais fácil... ?

A mão trêmula que derruba o lápis
A linha que perde a forma devido à chuva.
A face molhada e o vento.
Onde está
Coppelia?


E com isso termina M.A.
Eu disse que seriam mais 3 partes do livro 2 mas mudei minhas idéias. Ou não. De qualquer modo, apresento o fim aí e aí está.
Há algo nele que fica meio óbvio algo mas ... Enfim.
Obrigada a todos que leram ~

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Mensagem por Maknae em Dom Ago 07 2011, 01:42

Antes de mais nada, eu quero parabenizar a Bearu por esse maravilhoso trabalho.

Confesso que fiquei muito feliz em ver que conseguiu conclui-lo e vou reler e reler diversas vezes até porque teve umas coisas que eu não saquei mas né ~

Enfim, sua fic me prendeu muito <3 E eu simplesmente adorei, é claro! Hn, talvez mais tarde eu volte com alguma teoria... quem sabe -q
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Mensagem por Yukito em Dom Set 11 2011, 02:31

Meu plano era ler tudo, mas o sono não deixou. Reli todos os poemas até a parte 4 (sendo 'Um dia vermelho" o último). Está MAGNÍFICO, sério. Uma das coisas mais belas e complexas que já li. O enredo é triste, confuso e apaixonante, sempre deixando um gostinho de 'quero mais' somado ao mistério e uma GIGANTE subjetividade.

E tenho umas conclusões/teorias.. Talvez eu esteja errado sobre tudo, mas foi o que interpretei ATÉ AGORA.


Pra mim o centro de tudo é a dona da caixinha de músicas. Ela seria a madrasta de Mary. O marido bêbado e que a faz sofrer... Não seria coincidência entre duas mulheres, né? Não nessa história, aposto.

Eu aposto que a Mary estava crescendo quando o gênio nasceu. A caixa de música veio da casa da empregada e deve ter alguma relação com Mary, visto que o garoto foi amaldiçoado por tal melodia. Melodia essa que ele sabia reproduzir mesmo através de papel. Talvez ele mesmo tenha amaldiçoado toda a vila.

Voltando à empregada, ela enterrou a Mary junto com uma outra criança (que eu acredito ser a boneca que observa os outros da janela). Aí isso deu o maior problema, então ela abandonou o seu emprego e se mudou com o marido. Ironicamente... Para a mesma vila onde Mary se encontrava. O marido por ser um bêbado e talvez ter visto a sua filha (?) espancou a mulher, desfigurando sua cara na quina da mesa.

O castiçal foi o que o gênio usou para iluminar seu caminho até a vila.. Sim, a mesma vila. E o vestido era o usado por Mary na noite de inverno na qual ela foi enterrada. Agora preciso achar uma relação entre os dois...

E sobre a Marionete sem Vida... Talvez ela seja a felicidade?

Ok, viajei.

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Mensagem por Beatorisu em Dom Set 11 2011, 03:27

Obrigada Nae e Yukito n////n Na verdade MA são só desabafos escondidos em formato de uma história.... -q Não acho que seja nada demais, mas obrigada ~ Muito.
Obrigada por terem lido ~

E Yukito! Teoria \o/ Yey!
Bom, digo isso........ Todas as interpretações são válidas. (sentindo quotando o Revo-q)

Bom, confesso que quando escrevi essas partes tinha histórias bem específicas e outras nem tanto na cabeça então alguns de seus pontos podem se encaixar... outros não. Mas sério, tudo pode fazer sentido....
Só não descobriu o ponto principal ainda de MA... mas também não vou falar. ~ :3

Se for de interesse posso futuramente "explicar" algumas coisas... ou não.

Enfim... Peço desculpas porque após algumas partes a coisa fica mais vaga. Bem mais vaga... E o tipo de narração meio que muda eu acho e ... Bom... Ainda tem muita coisa e... Já postei o fim mas ainda to escrevendo algumas coisas extras...
Enfim.

Obrigada de novo ~

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