O Maestro do Crepúsculo

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O Maestro do Crepúsculo

Mensagem por God of the Wind em Qui Ago 11 2011, 00:02

OK, isso demorou três dias para ser escrito e me deixou exausto, mas valu a pena. Aviso que com certeza tá uma bosta, mas vá em frente se realmente quiser.
AVISOS: Esta é uma história longa, portanto leia-a apenas se tiver tempo e paciência. Contém algumas cenas de violência, mas nada muito explícito. Prossiga por sua própria conta e risco.
E então, vamos começar o nosso conto?~
Spoiler:
Ele resolvia problemas. Era o que se dizia. Conhecido como O Maestro do Crepúsculo, dizia-se que era um homem cruel e frio, e que mataria a quem quer que o perturbasse caso não tivesse uma excelente razão. Ainda assim, o jovem engoliu coragem e tomou seu rumo em direção ao castelo da colina.
Não chegou a completar seu caminho, pois algo o atrapalhou antes. Era um galo, que, surpreendentemente, não só falava mas também lhe dirigia a palavra.
-Cook-a-doocle-doo! Qual o seu assunto cóóóóm o Maestro, jovem senhor?
-As lendas sobre ele dizem que ele pode resolver problemas. Bem, eu tenho um problema
-E o que o faz pensar quuuuuue o Maestro o ajudará?
-Não sei. Não acredito em lendas, na verdade,mas meu estágio de desespero já vai longe, então estou disposto a tentar qualquer coisa. Se ele me matar, que ótimo, pelo menos estou livre de sofrimento.
-Nesse cáááááso, prossiga. Ele o está esperando
Dito isso, o galo se desfez em sombras que desapareceram, deixando o caminho livre para o bravo jovem.
Ele não teve chance de bater na porta, pois quando se aproximou dela, foi aberta sem o menor indício de contato. Adentrando o ambiente iluminado pela luz de várias velas, ele pôs-se diante da enorme porta de madeira escura que o separava do lendário Maestro.
Empurrando-as com força, entrou e se deparou com um trono, e nele um homem sentado. Era um trono suntuoso, com sua metade esquerda sendo branca e amarela e sua metade direita sendo preta e vermelha. O homem que se sentava nele era impressionante. Sua pele era tão pálida que mal podia-se discernir-la de seu cabelo, tão branco quanto a luz emitida pelo Sol. Mas o que realmente o impressionava era a profundidade e a densidade de seus olhos, um vermelho que alternava entre um tom vivo e uma tez sanguínea que era impossível de se ignorar.
Suas vestes eram todas negras, com marcas e símbolos brancos espalhados nas bordas. Usava mangas compridas e uma capa por cima do corpo, de modo que toda a sua figura ficava oculta aos que o viam.
Desde que entrara, aqueles olhos estavam cravados na sua figura jovem, o analisando, o lendo, o entendendo. Mal chegou na metade do salão imponente quando a figura à sua frente abriu sua boca e falou, fazendo uso de sua voz poderosa e amedrontadora.
-Então. Você deseja algo de mim.
-Sim.
-Vai me dizer o que é?
-Acredito que saiba.
-Sim, eu sei. Mas eu quero que você me explique. Afinal, é a sua história. Então, cante sua história
E, ao terminar de proferir essas palavras, puxou sua batuta, que estava escondida debaixo de suas vestes, e fez um aceno, iluminando o salão com uma luz anormal e iniciando uma música macabra.
-Eu perdi algo. Alguém, na verdade. E apesar de ter tentado de tudo para trazê-la de volta, meus esforços foram todos em vão. Contraí doenças, recebi feridas, tudo em busca dessa pessoa. Agora sinto que, apesar de meus poucos anos, estou morrendo. Pode não parecer, mas estou. E apesar de ser extremamente cético e não acreditar em nem um décimo das lendas sobre você porque aposto que são todas mentiras deslavadas, não tenho mais muitas opções, nem tempo para perder. Então aqui estou. Se quiser me matar, mate, só vai adiantar o inevitável.
-Interessante - disse enquanto se levantava - você veio aqui, não acreditando nas minhas habilidades, para me pedir ajuda. E espera que eu resolva seu problema de uma forma ou de outra, hã? Muito interessante. Só vou lhe dizer algo, jovem cavalheiro - proferiu enquanto se levantava e abria os braços, expondo suas vestes por baixo da capa - lendas quase sempre são mentiras. Mas quando se tratam de mim, são todas verdade.
Agitando sua batuta, ele conduziu uma melodia intensa que fez com que o rapaz fosse levantado e engolfado pelo som
-Agora, meu caro, você verá o poder d'O Maestro do Crepúsculo. - disse, começando então a bradar em altos tons - Vamos começar o nosso conto de vingança!
Tudo escureceu para o jovem.
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Quando deu por si, estava deitado num chão de pedra frio. Ao se levantar, começou a reconhecer os seus arredores.
-Nada vai nos separar, nunca!
-Mas..... o que está acontecen-
-Mas o que.... quem são vocês?!
-Isso não pode ser...
-Não! Deixem-nos ir! Parem com isso! Por que vocês estão fazendo isso comig-Argh!
-É......impossível......
-Como eu disse, todas as lendas sobre mim são verdade. -disse, ao aparecer ao lado do jovem ainda caído - Este é o seu passado, e a razão pela qual você veio até mim. Se você aceitar, eu te ajudarei a reaver o que foi perdido. Porém, isso terá um preço.
-Não me importa o preço, eu aceito! Agora me tire daqui!
Lágrimas escorriam de seus olhos. Ele estava vendo, bem na sua frente, sua própria vida. Não qualquer momento, mas o momento mais doloroso dela, momento esse que iniciou a busca que a acabaria.
-Você será meu escravo. Você será minha posse, e nada nem ninguém terá mais poder sobre você do que eu, O Maes-
-O que foi que disse?
Vindo do nada, apareceu uma figura estranha, que de certa forma lembrava O Maestro. Ele trajava um manto preto sobre um terno preto, e usava um chapéu preto por cima do cabelo longo e marrom. Mas o mais peculiar sobre ele era que sua roupa estava completamente adornada com cruzes brancas.
-Eu estou curioso, Mikhail. Você disse que nada nem ninguém teria mais poder sobre esse pobre jovem do que você. Agora, eu lhe pergunto. Até mesmo eu?
-N-n-não, Mestre Cruz, jamais.
-Ah, que bom, por um momento, achei que eu tivesse me enganado. Então, jovem, - disse, virando-se para encarar o homem caído e subitamente materializando uma espada de lâmina negra com um punho de prata em forma de cruz - está pronto para darmos início à sua vingança? Vamos dar meu toque pessoal à ela.
Dito isso, ele estalou os dedos e tudo congelou. As cores foram se esvaindo e, lentamente, a visão do rapaz foi mudando. Quando deu por si, estava vendo exatamente a mesma coisa que o seu "eu" do passado, o "eu" que estavam observando há apenas alguns momentos. Lentamente, as cores foram retornando e o tempo foi voltando ao normal. Mas dessa vez, havia um diferencial. A espada do mestre d'O Maestro do Crepúsculo estava em sua mão.
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Usando a espada que se materializou em sua mão, ele se defendeu dos homens que o atacava. Desferiu um golpe contra o primeiro que vinha, fazendo um corte horizontal em seu abdômen. Deu uma investida e atravessou o segundo com a lâmina, só para ser agarrado por trás pelo terceiro.
Não conseguindo desvencilhar-se , segurou a espada de ponta-cabeça e perfurou o intestino do que o agarrava, fazendo com que ele o soltasse.
Sentiu algo agarrando o seu pé, e quando viu, era o primeiro homem, caído no chão e tentando imobilizá-lo. Virou-se para ele e atravessou sua cabeça com a arma, acabando assim o conflito.
Olhou para trás e, banhado de sangue, encarou os olhos da pessoa que estivera tentando proteger esse tempo todo.

A pessoa por quem procurara todos esses anos.
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-E então, como se sente?
-Estranho... O que acon-Argh!
Memórias inundaram a mente do jovem, não por cima das que já estavam lá, mas com uma memória secundária. Memórias dessa nova história, desse novo "conto", "conto" esse que iniciou com sua vitória sobre os homens. Memórias deles fugindo, se escondendo, até que, por algum motivo ele veio ver O Maestro. Motivo esse que estava claro na sua outra corrente de memória, na "original".
-Agora você está entendendo, meu caro. Mikhail, estou deixando você responsável por este jovem. Não serei piedoso se você ousar escravizá-lo novamente
-S-s-sim, Mestre Cruz.
Dito isso, o homem de chapéu desapareceu nas sombras que se manifestaram ao seu chamado, deixando ele e o Maestro novamente a sós.
-Então, agora que sua vingança no passado foi iniciada, vamos lidar com o presente, sim? Meu Mestre te deu um presente. Use-o para obter sua meta. Use-o para obter a sua vingança!
Abrindo os braços, O Maestro começou a reger outra música. Uma sinfonia melancólica, mas que dava um sentimento de raiva obscuro e intenso.
Imediatamente, o jovem sabia o que fazer.
Saiu correndo do castelo, passando direto pelo galo que encontrou na ida. Corria o mais rápido que suas pernas o permitiam, enquanto segurava com força a espada que o Mestre d'O Maestro havia lhe dado.
Correu de volta até a pousada onde havia se hospedado no dia anterior, antes de ter ido até o castelo d'O Maestro. Com suas "novas" memórias, saberia exatamente onde deveria entrar, uma porta que já não era a sua "original".
Abriu a porta com um estrondo e entrou berrando
-Saiam daí!
Não eram os mesmos homens que vinham perseguindo-os nos últimos anos, mas certamente estavam lá pelo mesmo motivo. Deu uma investida contra o mais próximo, com a espada levantada acima da cabeça, trazendo-a em direção ao chão com um golpe estrondoso. Já não estava mais debilitado como seu eu "original", pois se mantivera longe da origem da sua doença. Usando toda a saúde que recuperara, se jogou contra o homem, usando o seu peso e a força da sua investida para remover a espada do chão. Mal removeu-a, foi segurado pelos braços pelos três enviados restantes.
Subitamente, o tempo foi parado mais uma vez. Ao lado do jovem, que estava inconsciente desse fato, apareceu O Maestro do Crepúsculo.
-Então, -disse, abrindo os braços e começando a reger uma sinfonia de guerra, cheia de gritos e mortes - que o nosso conto de vingança seja concluído!
Quando o tempo voltou a prosseguir, o jovem foi enchido por uma força quase que sobrenatural e desumana. Se sacudindo vigorosamente, conseguiu se livrar dos homens que o seguravam. Correu na direção da espada, e, chutando um dos inimigos em seu caminho, removeu-a do chão, decapitando o caído logo em seguida. Não teve tempo de pensar, e agiu por instinto ao colocar a arma entre si e seu oponente.Não tendo previsto isso, o homem foi atravessado pela espada, sendo imediatamente jogado para o lado.
Com apenas dois restantes, eles pensaram que poderiam usar como refém a única pessoa além deles e do jovem no quarto. Porém, o rapaz foi mais rápido, e, usando a espada para dar impulso, chegou antes do que eles, desferindo um golpe horizontal que abriu o peito do mais próximo. O homem restante, sabendo que não tinha chances, resolveu fugir, mas não pode, porque assim que chegou na porta, sentiu uma lâmina fria atravessar seu corpo e sair no seu peito, sugando toda a sua força vital e o matando lentamente.
Virando-se para a única pessoa no quarto ainda viva, além dele, perguntou:
-Você está bem? Eles fizeram algo com você?
-N-não... eu estou bem. O que foi aquilo?
-Eu não saberia explicar.
Assim que fechou a boca, o jovem sentiu o tempo parar novamente e as cores se esvaírem. Ao seu lado, O Maestro apareceu.
-E então o nosso conto de vingança aqui termina.
Abaixando os braços, O Maestro respirou fundo e bradou
-Você é um homem de atitude. Não deixa suas opiniões ou o medo de perder algo ficarem no seu caminho, e segue em frente com tudo o que há. Esta noite, quando chegou ao meu castelo, você estava abalado e era moribundo. Agora, é um jovem forte e saudável. Espero que nosso conto tenha lhe ensinado algo. Vou-me agora. Afinal, é hora do amanhecer. A minha hora já está terminando. Ainda nos encontraremos algum dia, e nesse dia, você verá do que sou realmente capaz. Até lá, jovem.
Fazendo um aceno com sua batuta, O Maestro desapareceu numa nota musical sinistra à medida em que o tempo voltava ao normal e o sol nascia no que o rapaz passou a chamar de "O Sétimo Horizonte", em homenagem aos sete anos que foram reconstruídos naquela única noite.
Após ter visto a alvorada, ele notou que O Maestro havia levado consigo não só os corpos, mas a espada também. Não havia evidência alguma de que algum dia, uma luta tivesse ocorrido naquele lugar.
Espreguiçou-se, e deitou na outra cama que havia no quarto
-É, hoje foi uma longa noite.
Dito isso, fechou os olhos e adormeceu instantaneamente com um sorriso no rosto, satisfeito com a sua vitória sobre o destino, os seus inimigos e com o fato de a sua vingança ter sido finalmente completa.
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-Mestre.
-Sim, Mikhail, diga. Estou ouvindo.
O homem das cruzes virou-se e encarou O Maestro do Crepúsculo com um par de olhos vermelhos ainda mais enigmáticos e misteriosos.
-Por que exatamente o senhor me impediu de aplicar no homem o castigo por ter vindo me ver e pedir meu auxílio?
-Se a explicação fosse fácil, meu caro Mikhail, eu a teria dado mais cedo. Mas vou tentar explicá-la de um modo fácil pra você. Aquele garoto me será muito útil no futuro. Você mesmo disse a ele que se encontrariam de novo. No dia em que isso acontecer, será por minha vontade e por minha influência.Nesse dia, você entenderá.
-Mas Mestre, o senhor nã-
-Quieto, Mikhail. Eu vi o futuro do garoto, e sei o que lhe é reservado.
Levantou sua mão sobre uma mesa espelhada que havia em sua frente, e quando ela passou por cima da superfície refletida, a imagem mudou, mostrando uma série de coisas diferentes. Capas pretas, cabelos brancos, máscaras verdes, nada que fizesse sentido para um humano comum, mas para o homem das cruzes parecia ser óbvio.
-Ah, esse garoto vai me proporcionar muita diversão.
E terminou a frase com uma gargalhada sinistra digna de uma pessoa sábia e onipotente.
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